STF autoriza investigação que coloca filho de Lula no centro de apuração da PF

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O empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), passou a ser investigado pela Polícia Federal. A abertura do inquérito foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na quinta-feira (30). O caso tramita sob sigilo.


A investigação apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo negociações relacionadas à cannabis medicinal no âmbito do Ministério da Saúde.

Segundo a apuração, a Polícia Federal irá verificar se Lulinha teria utilizado sua influência, por ser filho do presidente da República, para favorecer negócios entre o Ministério da Saúde, a consultora Roberta Luchsinger e o lobista Antônio Camilo Antunes , conhecido como “Careca do INSS”.


O lobista investigado

Antunes está preso e é apontado como um dos principais investigados no esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS. Ele também mantinha uma empresa voltada à produção de cannabis medicinal para extração de canabidiol, substância utilizada em tratamentos médicos.

De acordo com as investigações, o lobista esteve no Ministério da Saúde pelo menos cinco vezes desde 2024 . Em duas visitas, realizadas em janeiro e fevereiro de 2025, identificou-se como presidente da empresa World Cannabis. Nas demais ocasiões, apresentou-se como diretor da empresa de telessaúde DuoSystem, que posteriormente negou qualquer vínculo com ele. Em pelo menos uma dessas reuniões, Antunes estava acompanhado de Roberta Luchsinger.


Transferências financeiras

Documentos da Polícia Federal apontam ainda que o lobista teria transferido R$ 1,5 milhão para Roberta. Em uma das movimentações, ele teria informado que o valor seria destinado ao “filho do rapaz” , expressão que, segundo a investigação, pode fazer referência a Lulinha.

Roberta, por sua vez, afirma que os recursos recebidos correspondem ao pagamento por serviços de consultoria prestados ao empresário.


Viagem a Portugal

Outro ponto analisado pela investigação é uma viagem feita por Lulinha e Antônio Camilo Antunes a Portugal, em novembro de 2024 . Conforme a defesa do filho do presidente, a viagem ocorreu a convite para conhecer uma fábrica de produtos à base de cannabis medicinal e não resultou em qualquer parceria comercial. Os advogados afirmam ainda que desconhecem quem arcou com os custos da viagem.


Manifestações da defesa e do presidente

Em nota, o advogado Marco Aurélio de Carvalho , que representa Lulinha, afirmou ter recebido a notícia da investigação com “perplexidade” , classificando a instauração do inquérito como uma possível “fishing expedition” (expressão usada para definir uma investigação sem indícios concretos), mas disse que a defesa acompanha o caso com tranquilidade.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também comentou o caso e afirmou que não utilizará o cargo para beneficiar o filho. Em entrevista, Lula declarou que Lulinha será tratado como qualquer outro cidadão pela Justiça:

“Se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa. Não haverá nenhum privilégio. Eu jamais pedirei para um delegado ou para um juiz deixar de fazer o que é correto. Se for julgado e considerado culpado, terá de responder pelos seus atos” , afirmou o presidente.

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