A promessa de derrubar os controversos sigilos de 100 anos — um dos principais motes da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022 — voltou a assombrar o presidente. Durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda., na quinta-feira (30), Lula demonstrou claro desconforto ao ser confrontado diretamente pelo apresentador Rogério Vilela sobre a manutenção da mesma prática que tanto criticou na gestão de Jair Bolsonaro.
Sem rodeios, Rogério Vilela colocou o presidente contra a parede ao lembrar os debates eleitorais e questionar por que ele prometeu derrubar os sigilos de 100 anos de Bolsonaro, mas acabou fazendo a mesma coisa no seu governo. Visivelmente desconcertado, Lula evitou uma resposta direta de imediato e tentou se esquivar da responsabilidade exclusiva pelo fechamento de dados públicos, reiterando ser “radicalmente contra sigilo de 100 anos e de 20 anos” e defendendo que restrições deveriam existir apenas para assuntos de Estado ou Segurança Nacional.
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A saída do presidente
Questionado por Vilela sobre o que o limita a decretar transparência total, o presidente atribuiu as decisões a órgãos intermediários da administração pública, afirmando que esse tipo de questão “nem chega na Presidência” , pois existem órgãos específicos do governo que apuram essas coisas.
Diante da insistência do apresentador sobre o poder de autoridade do cargo, Lula admitiu que não tentará mais mudar a lei , mas fez uma nova promessa: disse ter orientado sua equipe a recorrer diretamente a ele caso jornalistas tenham pedidos negados sem justificativas que envolvam menores de idade ou segurança nacional, garantindo que “não há nada nesse mundo que mereça ser sigilo” .
Contradição entre discurso e prática
Apesar de o presidente classificar a falta de transparência como algo que “não há por que” existir, a realidade administrativa contradiz o discurso do podcast. A discussão no Inteligência Ltda. ganha peso após revelações recentes de que o atual governo impôs sigilo de 100 anos sobre a lista de visitantes do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, durante o período em que ele esteve preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
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Números da transparência
Um levantamento publicado pelo Estadão aponta que o primeiro ano do Governo Lula (2023) somou 1.339 pedidos da LAI negados , número muito próximo aos 1.332 registros do último ano do Governo Bolsonaro (2022). Esse empate técnico nas negativas de informação pública deixa sem resposta a pergunta de Rogério Vilela que ecoou entre os eleitores decepcionados: se não é para proteger segredos de Estado, qual é a verdadeira explicação para continuar colocando sigilo em tudo?






