“Taxa fantasma” revolta moradores de Manaus e expõe falhas no saneamento básico pela Águas de Manaus

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O que deveria representar avanço na infraestrutura urbana tem gerado indignação entre moradores da capital amazonense. A concessionária Águas de Manaus está no centro de uma polêmica após consumidores denunciarem a cobrança de tarifa de esgoto mesmo sem acesso efetivo ao serviço.

Nos primeiros meses de 2026, a empresa já acumula mais de R$ 3,3 milhões em multas aplicadas pela Ageman, por irregularidades que incluem a cobrança indevida.

As denúncias partem de bairros como Cidade Nova, especialmente na comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, e também do Conjunto Manoa. Segundo moradores, a concessionária instala a tubulação principal nas ruas, mas não realiza a ligação final até as residências.

Mesmo sem essa conexão — essencial para o funcionamento do sistema — a tarifa de esgoto já aparece nas contas, chegando a 80% do valor da água.

“Colocaram os canos, mas não ligaram às casas. Como vamos pagar por algo que não temos?”, questionou um morador durante audiência pública na Câmara Municipal.

Problemas em campo

Fiscalizações realizadas pela Ageman revelam um cenário preocupante, que vai além da cobrança:

  • Despejo de esgoto in natura em igarapés, como o Goiabinha;
  • Obras iniciadas desde 2024 que permanecem inacabadas;
  • Redes instaladas, mas sem funcionamento efetivo;
  • Exigência de que o próprio morador arque com a conexão domiciliar, sob risco de penalidade.

Esses fatores ampliam o contraste entre os dados divulgados oficialmente e a realidade enfrentada pela população.

Meta ambiciosa, realidade distante

A concessionária divulga o programa “Trata Bem Manaus”, com meta de atingir 90% de cobertura de esgoto até 2033. No entanto, estimativas atuais apontam que a cobertura real gira entre 35% e 40%.

Enquanto isso, o impacto financeiro já pesa no bolso dos consumidores. Em fevereiro de 2026, houve um reajuste de 5,52% nas tarifas de água e esgoto, intensificando a insatisfação popular.

A situação chamou atenção de autoridades. O vereador Rodrigo Guedes e o ex-deputado Zé Ricardo têm criticado duramente a prática, classificando-a como abusiva.

O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) instaurou um inquérito civil para investigar a legalidade da cobrança, enquanto a Procuradoria Geral do Município avalia medidas para contestar o reajuste tarifário.

O que diz a concessionária

Em nota, a Águas de Manaus afirma que o reajuste anual está previsto em contrato e tem como objetivo recompor perdas inflacionárias e garantir investimentos, incluindo um aporte de R$ 1,5 bilhão financiado pelo BNDES.

Sobre a cobrança da taxa de esgoto, a empresa sustenta que o Novo Marco Legal do Saneamento permite a tarifação a partir do momento em que a rede está disponível na via, cabendo ao morador realizar a conexão.

No entanto, a concessionária não detalhou os casos em que há lançamento de esgoto diretamente no meio ambiente em áreas já tarifadas — um dos principais pontos de contestação.

Impacto direto no consumidor

Atualmente, a tarifa de esgoto representa 80% do valor da conta de água e pode chegar a 100% até 2027. Para muitos moradores, no entanto, o serviço ainda não saiu do papel.

A crise evidencia um dos maiores desafios urbanos de Manaus: transformar promessas de universalização do saneamento em serviços reais e acessíveis à população, sem cobranças consideradas injustas.

ItemSituação Atual (2026)Projeção
Tarifa de Esgoto80% do valor da águaDeve retornar a 100% em maio de 2027
Cobertura RealAprox. 35% a 40%Meta de 90% até 2033
Multas (Jan-Mar/26)R$ 3,3 milhõesEm fase de recurso pela empresa
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