Um empréstimo de pelo menos R$ 22 milhões concedido pelo Banco Master à empresária Bianca Araújo Medeiros, cunhada do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, passou a ser alvo de apuração pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O pedido foi formalizado pelo Ministério Público junto ao TCU (MPTCU), que quer esclarecer possíveis irregularidades na operação.
A transação, realizada em março de 2024, teve como finalidade a compra de um terreno onde funcionava uma antiga fábrica de cimento, na capital paraibana. A área, localizada em João Pessoa, deverá ser transformada em um bairro planejado, segundo informações divulgadas pela imprensa.
Operação rápida e valores elevados
Documentos da Junta Comercial mostram que o negócio ocorreu em etapas aceleradas. No início de março de 2024, Bianca Medeiros adquiriu a totalidade das cotas da empresa ETC Participações. Poucos dias depois, essas mesmas cotas foram utilizadas como garantia para a liberação do crédito junto ao Banco Master.
Em abril do mesmo ano, o terreno foi adquirido por aproximadamente R$ 45 milhões. No entanto, registros oficiais indicam que o valor fiscal do imóvel pode chegar a R$ 101 milhões, o que levanta questionamentos sobre a operação.
Questionamentos do Ministério Público
O pedido de investigação foi apresentado pelo subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado, que solicita esclarecimentos sobre a origem dos recursos utilizados no empréstimo. Entre os pontos levantados, estão a possibilidade de uso de dinheiro público, subsídios ou garantias estatais.
Além disso, o MPTCU quer que o Banco Central do Brasil explique como foi feita a supervisão da operação financeira, considerando o alto valor liberado.
O caso será relatado pelo ministro Jhonatan de Jesus, que foi indicado ao tribunal pela Câmara dos Deputados e é considerado próximo de Hugo Motta, o que também tem gerado atenção sobre a condução do processo.
Defesa nega irregularidades
Em nota oficial, Bianca Medeiros afirmou que a escolha do banco ocorreu com base em condições comerciais e operacionais favoráveis no momento da contratação. A empresária também destacou que sua família possui longa trajetória no setor empresarial da Paraíba.
Já a assessoria de Hugo Motta negou qualquer envolvimento do parlamentar no negócio, afirmando que ele não possui participação na empresa ETC Participações. A defesa reforça ainda que a transação ocorreu quando Motta ainda não ocupava a presidência da Câmara, classificando o caso como uma negociação entre entes privados.
Investigação em andamento
Com a abertura da apuração no TCU, o caso deve avançar nas próximas semanas, com a coleta de informações junto a órgãos reguladores e às partes envolvidas. O objetivo é esclarecer se houve algum tipo de favorecimento ou irregularidade na concessão do crédito milionário, que envolve figuras próximas a um dos principais nomes do cenário político nacional.






