Relatórios financeiros obtidos no âmbito da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no INSS revelaram que o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha” e filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, movimentou cerca de R$ 19,5 milhões em suas contas bancárias entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026.
Os dados indicam um total de 1.531 transações financeiras no período, com variações expressivas ao longo dos anos, incluindo um pico registrado em 2024.
Oscilações no volume financeiro
De acordo com o levantamento apresentado à CPMI, os valores movimentados por ano foram:
- 2022: R$ 4,66 milhões
- 2023: R$ 4,01 milhões
- 2024: R$ 7,27 milhões (maior volume)
- 2025: R$ 3,37 milhões
- 2026 (até janeiro): R$ 205,4 mil
O fluxo total se divide de forma equilibrada entre entradas (R$ 9,77 milhões) e saídas (R$ 9,75 milhões), segundo os extratos analisados.
O relatório aponta que a principal origem dos valores creditados nas contas do empresário está relacionada a resgates de fundos de investimento, que somam aproximadamente R$ 4,4 milhões.
Também foram identificadas transferências diretas do presidente Lula ao filho, totalizando cerca de R$ 721,3 mil. A defesa afirma que esses repasses correspondem a doações familiares regulares e devidamente declaradas.
Investigação e controvérsia no STF
A quebra de sigilo bancário e fiscal foi autorizada pela CPMI que apura possíveis fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social. O nome de Fábio Luís passou a ser analisado após a Polícia Federal interceptar comunicações de empresários suspeitos de envolvimento em desvios de recursos previdenciários.
No entanto, o caso rapidamente se transformou em um embate jurídico. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão das quebras de sigilo aprovadas pela CPMI, alegando que as medidas foram votadas em bloco, sem justificativas individualizadas — o que contraria exigências legais.
Apesar disso, uma investigação paralela segue em andamento. A apuração conduzida pela Polícia Federal foi autorizada pelo ministro André Mendonça e utiliza dados fiscais e telemáticos obtidos por vias independentes da comissão parlamentar.
Defesa fala em uso político
Em nota, a defesa de Fábio Luís Lula da Silva classificou o vazamento das informações como um “crime grave” e acusou tentativa de exploração política do caso. Os advogados sustentam que todas as movimentações financeiras são compatíveis com as atividades empresariais do cliente e com aplicações no mercado financeiro.
A defesa também reforça que não há qualquer ligação entre o empresário e as supostas fraudes investigadas no INSS.
Cenário em aberto
O caso permanece em análise, tanto no campo político quanto jurídico, e deve continuar gerando repercussão nos próximos meses. Enquanto isso, a divulgação dos dados financeiros amplia o debate sobre limites de investigações parlamentares, sigilo bancário e possíveis usos políticos de informações sensíveis.






