Brasil marca penúltima posição em ranking global de imparcialidade da Justiça, aponta relatório internacional

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O Brasil voltou a figurar entre os piores países do mundo em um dos principais indicadores de qualidade institucional. De acordo com o Rule of Law Index 2025, elaborado pelo World Justice Project, o país ocupa a penúltima posição global em imparcialidade da justiça criminal, ficando à frente apenas da Venezuela entre 143 nações avaliadas.

A pontuação brasileira nesse quesito varia entre 0,10 e 0,11, em uma escala que vai de 0 a 1. Na prática, isso indica um sistema judicial percebido como altamente desigual, onde fatores como renda, influência política e posição social podem impactar decisões.

O que mede o índice e por que o Brasil preocupa

O levantamento avalia se instituições como tribunais, Ministério Público e forças policiais atuam de forma imparcial, respeitando princípios básicos como igualdade perante a lei e devido processo legal.

No caso brasileiro, os resultados apontam para um problema estrutural: A percepção de que a lei não é aplicada da mesma forma para todos os cidadãos.

Essa avaliação não se baseia apenas em opinião popular, mas em uma metodologia robusta que inclui:

  • Mais de 215 mil entrevistas domiciliares
  • Cerca de 4 mil especialistas jurídicos
  • Análise de 8 grandes pilares institucionais

Raio-X do Brasil no ranking global

Abaixo, um panorama dos principais indicadores do Brasil no índice:

IndicadorPosição GlobalPontuação (0 a 1)
Estado de Direito (geral)78º / 1430,50
Justiça Criminal (geral)111º0,33
Imparcialidade Criminal142º0,11
Punição de autoridades129º
Combate à corrupção77º

Destaque negativo: a imparcialidade criminal coloca o Brasil entre os piores sistemas judiciais do planeta.

Comparação internacional

Para entender a gravidade da situação, veja como o Brasil se posiciona em relação a outros países:

PaísImparcialidade CriminalSituação
Países líderes (ex: Europa)0,70 – 0,90Alta confiança institucional
Média global~0,47Desempenho moderado
Brasil~0,11Crítico
Venezuela~0,10Última colocada

O Brasil está muito abaixo da média global, evidenciando um sistema considerado frágil e desigual.

Seletividade penal: o principal problema

Um dos pontos mais críticos destacados pelo relatório é a chamada seletividade penal.

Na prática, isso significa que:

  • Pessoas de baixa renda são mais punidas
  • Processos envolvendo elites tendem a ser mais lentos ou inconclusivos
  • Há percepção de interferência política em decisões judiciais

Esse cenário compromete diretamente o princípio constitucional de igualdade perante a lei.

Outro eixo central do problema é a dificuldade de responsabilizar autoridades públicas. O Brasil aparece mal posicionado em indicadores ligados à punição de agentes do poder.

Principais fragilidades identificadas:

ProblemaImpacto no sistema
Corrupção institucionalReduz confiança nas decisões judiciais
Baixa punição de autoridadesReforça sensação de impunidade
Influência políticaCompromete independência judicial
Morosidade processualDificulta acesso à justiça

Esse conjunto cria um ciclo: menos confiança → menos credibilidade → mais fragilidade institucional.

O setor de justiça criminal brasileiro apresenta nota de aproximadamente 0,33, bem inferior à média global (0,47).

Isso reflete problemas em toda a cadeia:

  • Investigações policiais pouco eficientes
  • Processos judiciais demorados
  • Sistema prisional sobrecarregado
  • Falhas no cumprimento de garantias legais

Impactos diretos na sociedade

Os efeitos desse cenário vão além dos números e atingem diretamente a população:

  • Sensação de injustiça generalizada
  • Descrédito nas instituições públicas
  • Dificuldade de acesso à justiça
  • Aumento da desigualdade social

Para especialistas, quando a população deixa de confiar no sistema judicial, há impacto direto na democracia e na estabilidade social.

O relatório também aponta que a crise do Estado de Direito é global: cerca de 68% dos países apresentaram piora nos indicadores mais recentes.

No entanto, o Brasil se destaca negativamente por estar entre os últimos colocados em aspectos fundamentais, especialmente na justiça criminal.

Um desafio estrutural para o país

Apesar de uma leve melhora de 1,1% na pontuação geral, o Brasil segue distante dos padrões de países com instituições mais consolidadas.

O diagnóstico do World Justice Project é claro: O país enfrenta problemas estruturais profundos, que exigem reformas consistentes e de longo prazo.

O retrato apresentado pelo Rule of Law Index 2025 evidencia um sistema de justiça que ainda luta para garantir um princípio básico da democracia: a igualdade perante a lei.

Enquanto a Venezuela ocupa a última posição, o Brasil permanece logo acima, em um cenário que reforça a urgência de mudanças.

Mais do que um dado estatístico, o ranking expõe uma realidade sentida diariamente por milhões de brasileiros: a de que a justiça, muitas vezes, não é a mesma para todos.

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