A descoberta de petróleo na Foz do Amazonas, em águas profundas na costa do Amapá, abriu uma nova frente de disputa política para as eleições de 2026 no estado. O governador Clécio Luís (União Brasil), candidato à reeleição, tenta associar a descoberta ao trabalho realizado por sua gestão e pelo grupo político que defendeu a exploração na Margem Equatorial.
Do outro lado, o ex-prefeito de Macapá Dr. Furlan (PSD) questiona os resultados da preparação feita pelo governo estadual e também tenta apresentar sua própria trajetória como parte da construção de uma futura cadeia produtiva do petróleo no Amapá.
A Petrobras anunciou, em 14 de agosto, a identificação de hidrocarbonetos no poço Morpho , localizado a cerca de 175 quilômetros da costa amapaense. Dias depois, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve em Oiapoque para o anúncio da confirmação da presença de petróleo.
Clécio e Alcolumbre defendem exploração na costa do Amapá
O anúncio colocou Clécio Luís ao lado de Lula e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil) . Alcolumbre é um dos principais defensores da exploração de petróleo na costa do Amapá.
A autorização para a perfuração do Poço Morpho ocorreu em 2025, após uma forte pressão política para que o Ibama autorizasse a pesquisa na região da Foz do Amazonas.
Enquanto o processo avançava, o governo estadual passou a investir em iniciativas voltadas à preparação do estado para um eventual ciclo de exploração de petróleo e gás. Entre as medidas citadas estão programas de capacitação de mão de obra e obras consideradas estruturantes para enfrentar os gargalos logísticos do estado.
Governo do Amapá prepara mão de obra e estrutura para novo ciclo
O vice-governador do Amapá e pesquisador da área de petróleo e gás, Teles Júnior (PDT) , afirmou que o governo vem preparando o estado para uma eventual exploração comercial. Segundo ele, a confirmação da descoberta pode aumentar o interesse de empresas pela região e ampliar os investimentos no setor.
Em junho de 2025, quatro empresas arremataram 19 blocos de exploração entre as costas do Amapá e do Pará. O consórcio formado por ExxonMobil e Petrobras ficou com dez blocos, enquanto Chevron e CNPC arremataram outros nove.
“O resultado é fruto do esforço do governo do Amapá pelo direito de pesquisar e perfurar a margem. Serve não só ao Amapá, mas ao Brasil. Nunca foi um debate ambiental, mas energético” , afirmou Teles Júnior.
Após a confirmação da presença de petróleo, a Petrobras solicitou ao Ibama autorização para realizar três novas perfurações na costa do Amapá.
Royalties e empregos entram na agenda do próximo governo
A possível exploração comercial também coloca novas questões na agenda política do estado. Entre elas estão a definição de regras específicas para a atividade, a distribuição dos royalties e a criação de mecanismos para garantir que parte dos recursos e dos empregos permaneça no Amapá.
A formação de mão de obra especializada também aparece como um dos desafios para o estado aproveitar um eventual ciclo de petróleo e gás. A experiência de países vizinhos, como a Guiana, é citada pelo governo estadual como referência para o planejamento de uma possível expansão da atividade.
Aliados de Clécio tentam transformar descoberta em ativo eleitoral
A confirmação do petróleo ocorreu poucos dias antes do início oficial da campanha eleitoral, em 16 de agosto, e passou a ser explorada politicamente por aliados do governador.
A deputada estadual e candidata ao Senado Alliny Serrão (União Brasil) afirmou que Clécio participou das articulações em defesa da exploração na Margem Equatorial. Segundo a parlamentar, o estado precisa se preparar para uma eventual transição para um novo ciclo econômico:
“Temos feito o dever de casa e seguiremos fazendo. Preparar o Amapá para viver o ciclo da exploração de petróleo na Margem Equatorial é organizar estruturas administrativas que planejem cada região do estado de acordo com suas vocações e potencialidades” , afirmou.
A descoberta, portanto, passa a integrar o discurso eleitoral do grupo que busca a continuidade do atual governo.
Dr. Furlan cobra preparação e promete empregos
O ex-prefeito de Macapá e adversário de Clécio, Dr. Furlan (PSD) , também se manifestou após a confirmação da presença de petróleo.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Furlan apareceu ao lado de representantes da Federação das Indústrias do Estado do Amapá (FIEAP) e afirmou que Macapá está preparada para trabalhar na cadeia produtiva do petróleo.
O ex-prefeito também relembrou iniciativas de sua gestão na capital e defendeu a geração de emprego e renda a partir de um eventual desenvolvimento do setor. Entre as ações citadas está um acordo firmado com Macaé (RJ), município que recebeu investimentos e recursos relacionados à exploração do petróleo, para estabelecer cooperação técnica e institucional entre as duas cidades.
Petróleo pode mudar cenário econômico do Amapá
A descoberta ainda não significa o início imediato da exploração comercial de petróleo. Antes disso, serão necessárias novas etapas de pesquisa, avaliação das reservas, licenciamento ambiental e definição das condições para eventual produção.
Politicamente, porém, o petróleo já entrou na disputa eleitoral do Amapá. A descoberta colocou Clécio Luís e Dr. Furlan diante de uma nova pauta para a campanha: quem terá melhores condições de conduzir o estado diante de um possível novo ciclo econômico baseado no petróleo e no gás.






