Uma denúncia de um integrante da Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Amazonas (IEADAM) aponta uma suposta pressão sobre fiéis durante o período eleitoral para que votem em candidatos apoiados pela família Câmara, que exerce influência sobre a instituição no Amazonas.
O relato foi divulgado pelo jornalista Bryan Dolzane , que afirmou ter recebido a informação de forma exclusiva e em off. Segundo a denúncia, pastores estariam solicitando dados e números de telefone de membros para, posteriormente, entrar em contato com eles e apresentar os chamados “candidatos da igreja”.
Veja Vídeo:
Denúncia cita Omar Aziz, Silas Câmara, Dan Câmara e Braga
Segundo a mensagem recebida pelo jornalista, pastores estariam orientando membros a fornecer dados pessoais para uma mobilização eleitoral:
“E hoje eu recebi a seguinte mensagem no WhatsApp: ‘Já começou a pressão nas igrejas. Ontem já tinha pastores falando com os irmãos, pedindo dados, número de telefone e pediu pros irmãos se prepararem para receber uma ligação. Nessa ligação, eles vão falar com cada membro pra votarem nos, abre aspas, candidatos da igreja, fecha aspas, que é Omar, Silas Câmara, Dan Câmara e Eduardo Braga.'”
Ainda conforme o relato divulgado, a suposta orientação já teria chegado a pastores responsáveis por determinadas áreas da igreja:
“A situação tá bizarra. Meu pastor já estava fazendo isso ontem. Inclusive, ele disse que está muito triste porque não queria estar fazendo isso, mas ele é praticamente obrigado, porque como pastor da área, deve manter os nomes e número de telefone dos irmãos.”
As informações correspondem a uma denúncia relatada por uma fiel e divulgada pelo jornalista.
Bryan Dolzane critica suposta atuação política dentro da igreja
Ao comentar o relato, Bryan Dolzane afirmou que considera grave a utilização da estrutura religiosa para articulação política:
“É isso aqui que está acontecendo na Assembleia de Deus do Amazonas. Eles profissionalizaram a questão política dentro das estruturas da igreja. É muito grave isso.”
O jornalista também relacionou a denúncia ao debate sobre a atuação política de instituições religiosas durante períodos eleitorais:
“É por conta disso que às vezes a Justiça Eleitoral quer decidir certas coisas no que tange à igreja protestante, à igreja, sobretudo evangélica brasileira. Por quê? Porque tem denominações que estão passando de todos os limites.”
Segundo Dolzane, a fonte seria uma integrante da Assembleia de Deus no Amazonas que teria relatado o episódio sob condição de anonimato.
Relato fala em influência de pastores sobre voto dos fiéis
Na avaliação de Bryan Dolzane, a suposta estratégia poderia explorar a relação de confiança existente entre líderes religiosos e membros das congregações:
“É uma espécie de feudalismo espiritual, que se usa da audiência cativa de pessoas que às vezes entendem por conta ali de que têm o pastor como referência e o pastor diz: ‘Não, você tem que votar no fulano, porque ele é o escolhido do Senhor.’ E as pessoas votam porque confiam naquele pastor, confiam naquela autoridade religiosa” , concluiu.
Família Câmara tem influência política e religiosa no Amazonas
A Assembleia de Deus no Amazonas é liderada pela família Câmara , que possui nomes com atuação tanto no campo religioso quanto na política.
Entre eles está o deputado federal Silas Câmara , que integra o cenário político amazonense e mantém ligação histórica com a estrutura da igreja.
A denominação possui presença em Manaus e em municípios do interior do Estado, reunindo uma ampla base de fiéis que também desperta interesse de diferentes grupos políticos durante as eleições.
A denúncia coloca novamente em evidência a discussão sobre os limites entre liderança religiosa , orientação política e liberdade de escolha do eleitor.
Outro lado
O Portal AM POST não conseguiu contato com a assessoria de comunicação da IEADAM até o fechamento desta matéria. Os questionamentos também foram encaminhados à assessoria do deputado estadual Dan Câmara , integrante da família que comanda a igreja no Amazonas e um dos nomes citados na denúncia, mas não houve resposta até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestação.






