A gestão do prefeito David Almeida (Avante) enfrenta uma forte onda de questionamentos após o temporal histórico desta semana, que acumulou 160 mm de chuva e gerou mais de 114 ocorrências em apenas 24 horas. O foco das críticas, lideradas por parlamentares de oposição e portais como o D24am e a Agência Cenarium, recai sobre a distribuição do orçamento municipal para 2026, que privilegia a comunicação e eventos festivos em detrimento da Defesa Civil.
De acordo com os dados da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, a Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom) recebeu uma dotação de R$ 142,7 milhões. Em um contraste drástico, a Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil (Sepdec) conta com apenas R$ 1,7 milhão para operar durante todo o ano — uma diferença de mais de 8.000%.
“Circo” vs. Prevenção: A Polêmica dos Gastos
A expressão “priorizar o circo” ganhou força nos bastidores da Câmara Municipal de Manaus (CMM). O vereador Rodrigo Guedes (PP) tem sido um dos críticos mais vocais, apontando que, enquanto a prefeitura investe em grandes festivais, eventos culturais itinerantes e publicidade institucional, milhares de famílias em áreas de risco, como nos bairros Jorge Teixeira e Nova Cidade, seguem vulneráveis a deslizamentos.
“A conta não fecha para o cidadão que perde tudo na alagação. É um governo que gasta 82 vezes mais para dizer que trabalha do que para prevenir que o barranco caia na cabeça das pessoas”, afirmou o parlamentar em sessão recente.
Impacto nas Áreas de Risco
Manaus possui atualmente cerca de 1.100 áreas monitoradas, com aproximadamente 112 mil pessoas vivendo em locais considerados de risco alto ou muito alto pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB). Durante as chuvas de março, a Defesa Civil registrou:
- 42 alagamentos em diversas zonas;
- 24 deslizamentos de barranco;
- 10 desabamentos parciais de estruturas.
A fragilidade da Sepdec, que opera com recursos limitados para mitigação e obras de contenção, obriga a prefeitura a atuar majoritariamente na resposta ao desastre (pós-evento), em vez de investir em engenharia preventiva e sistemas de alerta mais robustos.
Resposta da Prefeitura
Em suas redes sociais e durante vistorias, o prefeito David Almeida tem rebatido as críticas, afirmando que a prefeitura realiza “o maior programa de recuperação de bueiros e drenagem da história”. Almeida atribui os transtornos ao volume “fora do comum” das chuvas e defende que os investimentos em cultura e comunicação são fundamentais para o turismo e para manter a população informada.
Entretanto, para os moradores que enfrentaram o caos nos terminais de ônibus e tiveram suas casas invadidas pelas águas nesta quinta-feira (26), a percepção de “abandono” das áreas periféricas em prol de uma vitrine política na zona centro-sul continua sendo o ponto central do debate eleitoral que se avizinha.






