Prefeitura de Manaus alerta para alta de 33% dos casos de sífilis entre jovens em cinco anos

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O contágio se dá principalmente por meio de relações sexuais sem preservativo. - Foto: Divulgação/Semsa

A Prefeitura de Manaus acendeu o alerta para o avanço da sífilis entre adolescentes e jovens adultos. Somente neste ano, a capital registrou quase 2,5 mil casos de sífilis adquirida, sendo 63,7% entre pessoas de 20 a 39 anos e 8,6% entre adolescentes de 10 a 19 anos, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). O aumento mais expressivo foi observado na faixa entre 15 e 29 anos, que somou 1.287 casos até 10 de outubro, um crescimento de 33,7% em relação a 2020.

Causada pela bactéria Treponema pallidum, a sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) na qual o contágio se dá principalmente por meio de relações sexuais sem preservativo, podendo se manifestar, na fase inicial, através de uma ferida indolor nos órgãos genitais, ânus ou boca. Em estágios avançados, pode surgir após 40 anos depois de contrair e afetar ossos, sistema nervoso e coração, levando à morte se não tratada.

De acordo com a enfermeira Ylara Enmily Costa, técnica do Núcleo de Controle de HIV/Aids, IST e Hepatites Virais da Semsa, a média anual de aumento nos últimos cinco anos é de 8,5%. Ela explica que o comportamento sexual dos jovens tem papel decisivo na expansão da doença. 

“Um dos principais problemas é a baixa adesão ao uso do preservativo entre o público adolescente e de jovens adultos. Em 2019, pesquisa do Ministério da Saúde já mostrava que 60% desse público não utilizava preservativo em nenhuma relação sexual”, afirma.

Ylara ressalta ainda que o início precoce da vida sexual, as múltiplas parcerias e o consumo de álcool e outras substâncias também estão entre os fatores que elevam o risco de infecção. 

A preocupação também se estende à população idosa. Embora represente pouco mais de 5% dos casos, o grupo acima de 60 anos ainda é subdiagnosticado, segundo a enfermeira. “Muitas vezes os idosos deixam de ser captados nas unidades de saúde para a testagem rápida, porque infere-se que não têm mais uma vida sexual ativa”, pontua.

‘Outubro Verde’: campanha reforça prevenção

Para conter o avanço da sífilis, a gestão municipal intensificou neste mês as ações da campanha “Outubro Verde”, que busca alertar a população sobre os riscos da infecção e a importância da testagem. Neste ano, o município registrou 1.637 casos de sífilis em gestantes e 222 casos de sífilis congênita, transmitida da mãe para o bebê durante a gestação.

A diretora de Vigilância Epidemiológica da Semsa, Marinélia Ferreira, destaca que a sífilis congênita pode causar abortos espontâneos, parto prematuro, malformações, cegueira, surdez e até morte neonatal. 

De janeiro a agosto deste ano, foram realizados mais de 95 mil testes para sífilis na capital, dos quais 26 mil foram voltados para gestantes e seus parceiros. A rede municipal também oferece tratamento gratuito e distribuição de preservativos.

Fonte: Urbnews