Oito anos após a morte de Daniel Corrêa, família ainda convive com a dor e a revolta

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Oito anos após a morte de Daniel Corrêa, família ainda convive com a dor e a revolta

Oito anos após a morte do jogador Daniel Corrêa Freitas, familiares ainda enfrentam o luto e a indignação com a violência do crime que interrompeu a carreira do atleta, aos 24 anos. O caso ocorreu em outubro de 2018, na Região Metropolitana de Curitiba, no Paraná, e voltou a ganhar destaque com os relatos de pessoas próximas ao jogador.

Daniel teve passagens por clubes como Botafogo, São Paulo, Coritiba e Ponte Preta. Na época da morte, estava emprestado ao São Bento, equipe do interior paulista.

Família soube da morte após dias sem notícias

Segundo a reportagem, a mãe do jogador, Eliana Aparecida Corrêa, ficou preocupada após passar quase dois dias sem conseguir contato com o filho. Daniel havia participado de uma festa em Curitiba, mas as ligações e mensagens não eram respondidas.

A família iniciou buscas por informações e entrou em contato com hospitais e autoridades da região. A identificação do corpo ocorreu por meio de uma cicatriz no joelho direito, resultado de uma lesão sofrida pelo atleta durante a carreira.

Daniel, ex-jogador de Botafogo e São Paulo, ao lado do primo Henrique na infância,  — Foto: Arquivo Pessoal

Henrique Salmaso, primo e amigo próximo de Daniel, relatou que a notícia provocou choque entre os familiares. Oito anos depois, ele ainda demonstra revolta com as circunstâncias do assassinato.

“O que fizeram com ele foi uma covardia”, afirmou Henrique, ao recordar o caso.

A mãe do jogador preferiu não conceder entrevista à reportagem, e pessoas próximas à família recomendaram que ela não fosse procurada para falar novamente sobre o episódio.

O que as investigações apontaram

Daniel participou, em 26 de outubro de 2018, da comemoração do aniversário de 18 anos de Allana Brittes, em Curitiba. Depois, parte dos convidados seguiu para a residência da família Brittes, em São José dos Pinhais.

De acordo com os elementos reunidos durante a investigação, Daniel entrou no quarto onde Cristiana Brittes, mãe de Allana, estava dormindo. O jogador enviou fotos e mensagens a um primo. Edison Luiz Brittes Júnior, marido de Cristiana, teria encontrado Daniel no quarto e iniciado as agressões.

Conforme os depoimentos considerados no processo, outros homens também participaram dos espancamentos. Daniel foi colocado no porta-malas de um veículo e levado até uma área de mata, onde acabou morto.

A versão apresentada por Edison de que o jogador teria tentado estuprar sua esposa não foi comprovada pelas investigações, segundo a reportagem. O caso foi analisado pela Justiça em um processo que envolveu diferentes pessoas presentes naquela noite.

Daniel ao lado de um tio e dos primos em um jogo do Cruzeiro no Mineirão — Foto: Arquivo Pessoal

Edison Brittes foi condenado a mais de 42 anos

Em março de 2024, o Tribunal do Júri condenou Edison Brittes Júnior a mais de 42 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado e outros crimes relacionados ao caso.

Em junho de 2026, o Tribunal de Justiça do Paraná manteve a condenação de Edison e rejeitou os pedidos de anulação do julgamento e redução da pena apresentados pela defesa. Ele permanece preso, enquanto a defesa informou que pretendia recorrer às instâncias superiores.

Daniel Corrêa comemora gol do Botafogo contra o Fluminense em 2014 — Foto: Adalberto Marques/AGIF

A situação dos demais envolvidos teve desdobramentos próprios. Quatro réus foram absolvidos, e Cristiana Brittes recebeu condenação por crimes relacionados à fraude processual e à corrupção de menores, conforme as decisões judiciais divulgadas. No caso de Allana Brittes, o tribunal reconheceu a prescrição dos crimes e extinguiu sua punibilidade. Essa decisão não equivale a uma absolvição após análise do mérito das acusações.

Uma carreira interrompida aos 24 anos

Natural de Juiz de Fora, em Minas Gerais, Daniel cresceu em Conselheiro Lafaiete e iniciou sua formação futebolística nas categorias de base do Cruzeiro. Mais tarde, chegou ao Botafogo, onde ganhou espaço no time profissional e chamou atenção pelo desempenho em campo.

Em 2014, marcou cinco gols e deu três assistências em 28 partidas, segundo os dados citados na reportagem. Depois, passou pelo São Paulo e foi emprestado a outros clubes. Lesões recorrentes no joelho dificultaram a sequência da carreira.

Seu último clube foi o São Bento. Daniel morreu aos 24 anos, antes de ter a oportunidade de retomar a trajetória profissional.

Oito anos após o crime, o caso continua marcado pela perda de um jovem atleta e pela dor dos familiares. Para Henrique Salmaso, a violência sofrida pelo primo não pode ser justificada pelas circunstâncias que antecederam o episódio.

Fonte: ge.globo

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