Crise entre Mbappé e China afeta Real Madrid e LaLiga após perda de patrocínios

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Crise entre Mbappé e China afeta Real Madrid e LaLiga após perda de patrocínios

A crise envolvendo o atacante francês Kylian Mbappé e a China começou a provocar consequências que vão além dos contratos comerciais do jogador. O Real Madrid, clube em que ele atua, e a LaLiga, organizadora do Campeonato Espanhol, também enfrentam possíveis impactos financeiros e comerciais após a repercussão de uma declaração do atleta sobre um meme relacionado ao antigo líder chinês Mao Tsé-Tung.

Mbappé perdeu pelo menos três contratos de patrocínio com empresas chinesas, enquanto a emissora estatal CCTV suspendeu a transmissão de partidas da LaLiga envolvendo o Real Madrid. A controvérsia também levou à retirada de conteúdos do jogador de plataformas digitais chinesas.

Meme sobre Mao Tsé-Tung provocou reação na China

A polêmica começou em uma entrevista concedida por Mbappé ao companheiro de clube e de seleção francesa Aurélien Tchouaméni, em um programa publicado no YouTube. Ao ser questionado sobre seu meme favorito, o atacante mencionou, entre risos, uma montagem que combina seu rosto com o de um ditador chinês.

A figura retratada no meme era Mao Tsé-Tung, fundador da República Popular da China, que governou o país entre 1949 e 1976.

Embora a entrevista tenha sido divulgada originalmente em março, a repercussão aumentou em outubro, quando o trecho passou a circular nas redes sociais chinesas. A plataforma de notícias esportivas Dongqiudi criticou a declaração e classificou a resposta do jogador como inadequada e ofensiva à China.

A reação se espalhou pela rede social Weibo e chegou às autoridades chinesas. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, afirmou que palavras ou ações consideradas ofensivas ao povo chinês tendem a receber condenação no país.

A China aprovou, em 2018, uma lei que criminaliza a difamação de heróis e mártires nacionais, contexto que ajuda a explicar a repercussão da controvérsia envolvendo Mao Tsé-Tung.

Mbappé perde contratos com três empresas chinesas

A reação comercial atingiu diretamente os acordos publicitários do atacante. Entre as empresas que romperam contratos com Mbappé estão a Dongpeng, do setor de bebidas energéticas, e as companhias de laticínios Mengniu e Milkground.

Diante da repercussão, o jogador pediu desculpas pelo mal-entendido em uma entrevista concedida na terça-feira (27). O presidente da LaLiga, Javier Tebas, também se manifestou sobre o episódio e pediu desculpas pelas declarações do francês, demonstrando preocupação com os possíveis efeitos para a competição e seus clubes.

Tebas ressaltou a importância de preservar a relação com os torcedores chineses e evitar que o episódio prejudique os mais de 20 clubes das ligas profissionais espanholas.

Emissora estatal suspende jogos do Real Madrid

As consequências chegaram à transmissão do futebol espanhol na China. A emissora estatal CCTV suspendeu a exibição de partidas da LaLiga envolvendo o Real Madrid.

Além disso, vídeos de gols e entrevistas de Mbappé foram retirados de plataformas chinesas. A conta do atacante na RedNote, rede social na qual ele tinha mais de um milhão de seguidores, também foi removida sob a justificativa de violação das diretrizes da comunidade.

As medidas ampliaram a preocupação com a presença comercial do futebol espanhol no mercado chinês, tanto pela exposição dos clubes quanto pela relação com os torcedores locais.

Real Madrid pode sofrer impacto financeiro

Segundo a imprensa espanhola, o contrato de Mbappé prevê que uma parte dos rendimentos obtidos pelo jogador com patrocínios pessoais seja repassada ao Real Madrid. Dessa forma, o encerramento dos acordos com as empresas chinesas pode reduzir os valores recebidos pelo clube.

Outro ponto de preocupação é a imagem da equipe entre os torcedores chineses. O Real Madrid tem uma base estimada em cerca de 100 milhões de torcedores no país, e a crise pode afetar o interesse por camisas e outros produtos oficiais.

O clube também mantém contratos comerciais com empresas chinesas, entre elas a Linglong Tire, fabricante de pneus; a Roborock, especializada em aspiradores robóticos; e a Hisense, fabricante de televisores.

Até a publicação inicial da reportagem, o Real Madrid ainda não havia divulgado um posicionamento sobre o caso. A crise, portanto, representava um risco comercial para o clube e para a LaLiga, embora a dimensão das perdas financeiras ainda não estivesse quantificada.

Fonte: ge

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