Ex-primeira-dama deixou presidência do PL Mulher e sinalizou que não disputará vaga pelo Distrito Federal
Brasília (DF) – A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro sinalizou à cúpula do Partido Liberal (PL) que está fora da corrida eleitoral pelo Senado Federal representando o Distrito Federal. A informação foi confirmada pelo presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, nesta quinta-feira (2).
Alegando estar “cansada” da vida pública, Michelle afirmou que sua prioridade agora é dedicar-se à saúde de seu marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e ao bem-estar da filha caçula do casal, Laura.
O afastamento não se limitou às urnas: ela também entregou a presidência do PL Mulher . Segundo Valdemar, a saída representa uma perda para o partido.
O estopim da crise
A decisão consolida uma crise interna no clã Bolsonaro, protagonizada por Michelle e seu enteado, o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL).
O desgaste chegou ao limite após uma discussão telefônica sobre os rumos políticos do partido. Segundo a própria ex-primeira-dama, ela se sentiu “humilhada”, “maltratada” e “desrespeitada” durante a conversa.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Michelle detalhou que as desavenças começaram no fim de 2025. O principal ponto de atrito foi o cenário político no Ceará : enquanto Flávio articulava e defendia o apoio do PL à chapa de Ciro Gomes (PSDB) para o governo cearense, Michelle era radicalmente contra a aliança.
Críticas de Valdemar
Apesar de Valdemar Costa Neto ter entrado em campo para tentar apaziguar a relação e manter a candidatura da ex-primeira-dama, ela recusou os pedidos.
O dirigente também criticou Michelle por compartilhar um vídeo do ex-governador Anthony Garotinho com acusações envolvendo supostas festas promovidas por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Para Valdemar, a ex-primeira-dama errou ao divulgar um conteúdo cuja veracidade, segundo ele, não estava comprovada.
“Olha, ela fez muito mal de pôr o vídeo do Garotinho. O Garotinho não tem credibilidade” , afirmou Valdemar.
Busca por substitutos
Sem o seu principal trunfo eleitoral na capital federal, o PL corre contra o tempo para definir quem herdará a vaga na disputa pelo Senado. Os dois nomes mais fortes nos bastidores são:
- Bia Kicis (PL-DF) : atual deputada federal e nome de forte apelo na base conservadora
- Izalci Lucas (PL-DF) : atual senador que planejava disputar o Governo do Distrito Federal, mas que perdeu terreno após o PL decidir apoiar a reeleição de Celina Leão (PP)
Segundo Valdemar, Michelle Bolsonaro não deu prazo para responder se vai ser candidata ou não, mas ele garantiu que a prioridade é para ela e disse que, “se ela decidir sair candidata, a vaga é dela”.






