Bioeconomia no Amazonas esbarra em logística precária e fornecedores

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A dificuldade em obter matéria-prima em escala de produção para abastecer o mercado consumidor trava o desenvolvimento da bioeconomia no Amazonas, afirma a empresária Rebecca Garcia, ex-deputada federal e dirigente da GBR Indústria de Componentes da Amazônia, empresa do Grupo Garcia. Ela foi entrevistada na manhã desta sexta-feira (7) pelo Grupo dos 6 formado pelos sites Amazonas Atual e BNC, Portal Único, Blog do Hiel Levy, Portal do Mário Adolfo e Portal do Marcos Santos.

Além da pouca capacidade dos fornecedores, a logística para o transporte dos insumos do local de produção para beneficiamento em Manaus é outro obstáculo que inviabiliza a fabricação de produtos de base bioeconômica no Estado.

Rebecca Garcia disse que empresa do grupo empresarial familiar desenvolveu um gel para tratar úlcera diabética em parceria com uma startup ligada ao Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) que trata a úlcera em tempo mais rápido. “Mas para isso existir eu tenho uma matéria prima regional, mas preciso desenvolver uma cadeia de fornecimento na região”, disse Rebecca.  

“Para lançar um produto é preciso garantir fornecedor na Colômbia, no Peru e em Roraima. Mas aí eu tenho um problema: se crescer (a demanda pelo produto) e encomendarem 100 mil unidades eu não vou ter quem me forneça material para atender o pedido”, acrescentou.

Segundo Rebecca, a logística para trazer a matéria prima para ser beneficiada em Manaus é um obstáculo. “Tem a BR-319 que é uma alternativa “, citou.

A empresária vai proferir palestra na COP30, em Belém, sobre o potencial da bioeconomia na Amazônia. “Isso é pauta para a COP30, mostrar o que precisamos para fazer essa economia crescer”, disse.

Rebecca Garcia: bioeconomia tem potencial para criação de novos produtos, mas esbarra em logística e fornecimento de matéria-prima (Imagem: Facebook/Reprodução)
Rebecca Garcia: bioeconomia tem potencial para criação de novos produtos, mas esbarra em logística e fornecimento de matéria-prima (Imagem: Facebook/Reprodução)

Rebecca Garcia defende a integração entre as universidades, institutos de pesquisa e empresas para que a bioeconomia saia da teoria para a prática. “A academia tem que produzir pesquisa para se transformar em nota fiscal e não para ficar na prateleira. Ela pode gerar emprego no interior do Estado. Nosso grupo tem uma história de apostar em coisas novas e decidiu apostar na bioeconomia. Foi quando eu percebi que a empresa precisa se envolver com isso para tirar do papel. Essa economia te trás essa possibilidade de criar produtos, mas você precisa da floresta em pé”, afirmou.

Conforme Rebecca Garcia, a importância da COP30 é o fato de estar acontecendo na Amazônia. “É uma COP para pegar tudo que já foi acordado e colocar em prática, pois ninguém vai colocar dinheiro em projetos se não entender que vai ter um benefício”.

A empresária admite que tem muita gente que está aprendendo o ambiente da bioeconomia e por isso o investimento ainda é escasso. “O governo pode apostar em projetos de longo prazo, mas a indústria teme porque tem que pagar folha de pessoal e projeta fazer investimento (no setor) com muita cautela”, disse. “Tem empresas com olhar preocupado, mas focando outra coisa como a mudança da matriz energética”.

Sobre o maior investimento público na bioeconomia, Rebecca Garcia afirma que há uma falha coletiva – tanto do setor público quanto do privado – porque ainda há muito discurso e pouca ação, além do negacionismo. “São soluções para as próximas gerações e muita gente não está preocupada com a próxima geração”.

Sobre voltar à política, a ex-deputada descartou a hipótese. Ela disse que há um preconceito muito grande com mulher na política, mas que isso não é um problema para ela. Mas a resistência do eleitorado em votar em mulher é uma questão cultural que somente será revertida com educação.

Fonte: Amazonas Atual

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