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Manaus – O que deveria ser um ambiente seguro para crianças e adolescentes no CIME Senador Artur Virgílio do Carmo Ribeiro Filho, em Manaus, se transformou em palco de uma grave suspeita de abuso de poder e manipulação. O diretor da unidade, Danilo Batista de Souza, é alvo de uma investigação policial por supostos casos de assédio sexual e aliciamento de menores. Em meio às apurações, um vídeo obtido pela imprensa mostra uma manifestação orquestrada dentro da escola em defesa do gestor.

De acordo com as informações levantadas, o movimento de apoio não teria partido espontaneamente dos alunos. Professoras aliadas ao diretor teriam usado o Grêmio Estudantil (gestão 2025-2027) para formar uma espécie de “claque” e organizar gritos de ordem e cartazes com frases como “Tem que ficar”. A estratégia, segundo fontes internas, seria uma tentativa de blindar Danilo diante da repercussão das acusações e das investigações conduzidas pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA).
Expulsões e clima de medo
Antes mesmo de o caso chegar à imprensa, estudantes que tentaram denunciar as atitudes do diretor teriam sido sumariamente expulsos da unidade de ensino. Uma ex-aluna que ocupou cargo de diretoria no grêmio relatou que existia um pacto de silêncio entre os estudantes. “A gente sabia de coisas que não podia espalhar. Se a gente ousasse falar, ia ter punições”, afirmou.
A reportagem apurou que a expulsão era usada como ferramenta de intimidação para garantir que o diretor mantivesse sua imagem ilibada perante a Secretaria de Educação, enquanto, supostamente, assediava jovens nos corredores.
Perfil falso e proposta de “trisal”
A denúncia formal que fez o esquema começar a ruir foi registrada no dia 15 de abril de 2026 (Boletim de Ocorrência nº 00114911/2026), quando o pai de um adolescente de 16 anos procurou a polícia. O jovem seria vítima de Danilo desde o 9º ano.
Segundo as investigações, o diretor utilizava um perfil secundário no Instagram (conhecido como “dix”) para se comunicar com os alunos de forma oculta. Em trocas de mensagens anexadas ao inquérito, o gestor teria insistido para que um estudante levasse uma colega ao seu apartamento, localizado em um condomínio. A intenção, descrita abertamente pelo educador, seria a formação de um “trisal” com os menores de idade.
Quando o adolescente hesitou, argumentando que o pai da menina era rígido, Danilo teria rebatido com frieza: “De vez em quando ela está por aqui. Dar perdido ela sabe muito bem… E nunca impediu de vocês transarem”.
Caso segue na Polícia Civil
A blindagem ao diretor, segundo os relatos, revela um problema sistêmico. Profissionais da educação que tinham conhecimento de saídas furtivas do gestor com alunos para banheiros e de favorecimentos com presentes e caronas teriam optado por silenciar por medo de retaliações ou por cumplicidade.
Com o caso já nas mãos da Polícia Civil e sob repercussão pública, a manifestação organizada no pátio da escola tenta desesperadamente salvar a imagem do gestor. No entanto, as provas digitais e os depoimentos das vítimas e dos alunos expulsos indicam um cenário de falha grave na proteção dos estudantes.






