O governo do Irã deu início a uma nova e estratégica investida diplomática no coração da capital federal. O embaixador iraniano no Brasil, Abdollah Nekounam Ghadiri, tem cumprido uma extensa agenda de reuniões no Congresso Nacional com um objetivo central: obter apoio político para destravar uma parceria financeira com o Banco do Brasil (BB).
A medida é vista por Teerã como o “elo perdido” para potencializar as trocas comerciais entre as duas nações, que atualmente enfrentam gargalos logísticos e financeiros devido às severas sanções impostas pelos Estados Unidos e organismos internacionais ao sistema bancário iraniano.
O Nó Bancário e as Sanções
Segundo informações apuradas pela Coluna Esplanada e portais de monitoramento político, a principal barreira hoje não é a falta de interesse comercial — já que o Irã é um dos maiores compradores de commodities agrícolas brasileiras, como milho e soja — mas sim a dificuldade de realizar pagamentos.
Atualmente, as transações precisam passar por triangulações em outros países, o que encarece os produtos e gera insegurança jurídica. O Irã busca que o Banco do Brasil atue como um canal direto, mas o banco estatal brasileiro mantém cautela extrema para não sofrer retaliações (“sanções secundárias”) do Departamento do Tesouro dos EUA, o que poderia isolar o BB do sistema financeiro global baseado no dólar.
Pressão no Legislativo
Para contornar a resistência técnica e institucional, o embaixador Nekounam tem focado em parlamentares das frentes ligadas ao agronegócio e ao comércio exterior. O argumento diplomático baseia-se na autonomia soberana do Brasil e na oportunidade de ampliar as exportações brasileiras para o Oriente Médio.
Recentemente, em declarações à Agência Brasil, o embaixador reforçou que o bloco dos BRICS (do qual o Irã agora faz parte oficialmente) deve servir como uma plataforma para “melhorar a ordem internacional” e criar alternativas econômicas que não dependam exclusivamente de decisões unilaterais de potências ocidentais.
Reações e Contrapontos
A movimentação, no entanto, encontra forte resistência na ala mais conservadora do Congresso e em setores que temem o desgaste diplomático com Washington. Relatórios de inteligência financeira e debates na Comissão de Relações Exteriores do Senado indicam que qualquer aproximação bancária com o Irã será minuciosamente fiscalizada, dado o risco de compliance e as tensões geopolíticas recentes no Oriente Médio.
Enquanto o Itamaraty mantém uma postura de equilíbrio, o lobby iraniano tenta acelerar um acordo de cooperação técnica que permita, ao menos, o financiamento de bens não sancionados, como alimentos e medicamentos, utilizando o Banco do Brasil como garantidor de operações específicas.
Fatos Relevantes do Cenário Bilateral:
- Comércio: O Irã importa anualmente cerca de US$ 2 bilhões em produtos brasileiros, mas o potencial é estimado em mais de US$ 5 bilhões caso as travas financeiras sejam removidas.
- Geopolítica: A entrada do Irã no BRICS fortaleceu o pleito de Teerã por mecanismos de pagamento em moedas locais ou alternativas ao sistema SWIFT.
- Risco BB: O Banco do Brasil possui ativos e operações nos EUA, o que torna a instituição o principal alvo de cautela do governo brasileiro em relação a parcerias com países sancionados.






