Vereador Bual reaparece em almoço com Omar Aziz e Eduardo Braga enquanto segue sob medidas judiciais

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O vereador Rosinaldo Bual, do partido Agir, voltou a aparecer publicamente em um encontro com políticos de Manaus na última quinta-feira (5). O parlamentar participou de um almoço organizado pelo prefeito Renato Junior, que reuniu 36 dos 41 vereadores da capital para homenagear o governador eleito do Amazonas, Omar Aziz, e o senador reeleito Eduardo Braga.

A presença de Bual chamou a atenção porque o vereador continua submetido a medidas cautelares determinadas pela Justiça no âmbito da Operação Face Oculta, que investiga suspeitas de um esquema de desvio de parte dos salários de servidores comissionados de seu gabinete, conhecido como “rachadinha”.

O parlamentar compareceu ao encontro utilizando tornozeleira eletrônica. Sua participação marcou uma nova aparição pública desde a operação policial que resultou em sua prisão, em outubro de 2025.

Almoço reuniu vereadores e lideranças políticas

O encontro aconteceu em uma churrascaria de Manaus e contou com a presença de representantes de diferentes grupos políticos do Amazonas. A homenagem teve como principais convidados Omar Aziz, eleito governador do estado, e Eduardo Braga, reeleito para o Senado.

O prefeito Renato Junior foi o responsável pela organização do almoço, que reuniu a maior parte dos vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM).

A presença de Bual entre os convidados repercutiu justamente por causa das restrições judiciais que continuam em vigor. O vereador está impedido de frequentar presencialmente a sede do Legislativo municipal, embora tenha recebido autorização para acompanhar as atividades parlamentares de forma remota.

Vereador foi preso na Operação Face Oculta

Rosinaldo Bual foi preso em 3 de outubro de 2025, durante a Operação Face Oculta, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Amazonas (MPAM).

A investigação apura suspeitas de que servidores comissionados de seu gabinete eram obrigados a devolver parte dos salários recebidos. De acordo com informações divulgadas pelo Ministério Público na época da operação, a apuração também envolvia a suspeita de crimes como peculato, concussão, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Durante a ação, além do vereador, uma chefe de gabinete também foi presa. O MPAM informou que foram apreendidos um cofre com aproximadamente R$ 390 mil em dinheiro e cheques que ultrapassavam R$ 500 mil.

As suspeitas ainda dependem da apuração e do julgamento pelas autoridades competentes. A investigação não representa, por si só, uma condenação de Bual.

Justiça manteve tornozeleira e restrição de acesso à Câmara

Após a prisão preventiva, Bual deixou a unidade prisional em dezembro de 2025, mas continuou submetido a medidas cautelares. Entre as determinações estão o monitoramento eletrônico e a proibição de frequentar presencialmente as dependências da Câmara Municipal de Manaus.

Em julho de 2026, a defesa tentou derrubar as restrições no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O pedido liminar foi negado pelo presidente da Corte, ministro Herman Benjamin, mantendo as medidas naquele momento.

Posteriormente, em agosto, o vereador recebeu autorização para exercer suas atividades parlamentares de forma remota, acompanhando as sessões e registrando sua frequência sem precisar comparecer fisicamente à sede do Legislativo.

A autorização para o trabalho remoto, entretanto, não significou a retirada da tornozeleira eletrônica nem a liberação do acesso presencial à Câmara.

Participação no almoço não configura automaticamente descumprimento

Embora esteja impedido de frequentar a sede da Câmara, o encontro político aconteceu em uma churrascaria, fora das dependências do Legislativo.

Por esse motivo, a participação de Bual no almoço não representa automaticamente descumprimento das medidas judiciais divulgadas. A restrição de acesso à CMM não deve ser confundida com uma proibição geral de frequentar outros estabelecimentos ou participar de eventos fora da Casa.

Ainda assim, a aparição do vereador ao lado de dezenas de parlamentares e lideranças políticas voltou a colocar sua situação no centro das discussões sobre o exercício do mandato.

Processo de cassação também está em discussão

A situação política de Bual envolve ainda questionamentos sobre a continuidade de seu mandato. O Comitê Amazonas de Combate à Corrupção (CACC) acompanha o caso e já apresentou manifestações relacionadas à possível cassação do vereador.

O andamento do procedimento na Câmara Municipal também foi alvo de críticas e questionamentos públicos, especialmente diante do tempo transcorrido desde a prisão do parlamentar.

Até o momento, não há uma conclusão definitiva sobre a perda do mandato. A investigação criminal e a eventual responsabilização política são procedimentos distintos e precisam seguir seus respectivos trâmites.

A reaparição de Bual no almoço organizado pelo prefeito Renato Junior, portanto, ocorre em meio a um cenário ainda marcado por medidas judiciais, investigação sobre suspeita de rachadinha e questionamentos sobre a situação do vereador na Câmara Municipal de Manaus.

Fonte: CM7 Brasil. Informações complementares: Ministério Público do Amazonas, Amazonas1 e DeAmazônia.

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