Manaus – O sonho da casa própria se transformou em um pesadelo para centenas de famílias na capital amazonense. Na manhã desta terça-feira (28), um grupo de vítimas realizou um protesto em frente ao 26º Distrito Integrado de Polícia (DIP) para denunciar Sandra Mendonça Botelho (também identificada como Sandra Torres Saboya). Ela é acusada de vender terrenos que não lhe pertenciam e, após arrecadar quantias vultosas, desaparecer com o dinheiro sem entregar os lotes.
Como funcionava o golpe
A suspeita operava na zona rural de Manaus, especificamente no km 26 da rodovia AM-010. Segundo as denúncias, Sandra se apresentava como líder comunitária ou representante de um instituto, oferecendo lotes de terra com promessas de posse imediata e regularização futura.
Para dar credibilidade ao esquema, ela utilizava:
- Mapas e demarcações: mostrava áreas divididas e prometia documentação oficial
- Taxas mensais: cobrava valores recorrentes para “manutenção e legalização”
- Manipulação emocional: o alvo principal eram famílias de baixa renda e mães atípicas (de crianças com deficiência), que buscavam estabilidade para os filhos
Vítimas em desespero
O esquema veio à tona quando os compradores descobriram que o verdadeiro proprietário da área nunca autorizou qualquer venda ou loteamento. Além disso, relatos apontam que Sandra vendia o mesmo lote para várias pessoas simultaneamente.
“Ela dizia que era tudo certo. Eu sou mãe de três crianças, moro de aluguel e fiz sacrifícios enormes, deixei de comprar comida para pagar essa taxa. Agora descobrimos que nunca existiu lote nenhum”, desabafou Maria das Graças, de 34 anos.
A revolta é ainda maior entre as mães atípicas. Elaine, uma das manifestantes, relatou que chegou a ficar sem recursos para a fórmula especial do filho autista para não atrasar os pagamentos a Sandra. “Ela manipulava a nossa cabeça. Quando soube que pedi ajuda para comprar a comida do meu filho, ela ainda entrou em surto dizendo que o instituto não nos deixava em necessidade”, afirmou.
Prejuízos acumulados
Os valores perdidos variam entre R1.400emaisdeR1.400emaisdeR 5.000 por família. No total, estima-se que o golpe possa ter movimentado centenas de milhares de reais, considerando as mais de 130 famílias lesadas em Manaus e municípios vizinhos como Iranduba e Manacapuru.
Investigação policial
Advogados que acompanham o caso informaram que Sandra está desaparecida e não atende mais as vítimas. “Muitas dessas pessoas estão em vulnerabilidade social e foram extorquidas sob ameaças, inclusive de morte”, afirmou um dos representantes jurídicos durante o protesto.
O 26º DIP já instaurou um inquérito policial para investigar o crime de estelionato. As autoridades e as vítimas fazem um apelo: qualquer pessoa que tenha realizado pagamentos via Pix ou em espécie para Sandra Mendonça Botelho deve procurar a delegacia imediatamente para registrar o Boletim de Ocorrência e fortalecer o processo de indiciamento.
O espaço segue aberto para que a defesa da acusada se pronuncie sobre as denúncias.






