Um homem de 25 anos foi preso preventivamente em Guarujá, no litoral de São Paulo, suspeito de aliciar crianças e adolescentes pela internet utilizando jogos e plataformas digitais. Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), o investigado usava o Roblox para se aproximar de menores de idade e, depois, transferia as conversas para aplicativos de mensagens.
A prisão ocorreu na quarta-feira (28 de outubro), durante a operação Ralseidarker, conduzida pela PCDF com apoio da Polícia Civil de São Paulo. Além do mandado de prisão preventiva, os agentes cumpriram três mandados de busca e apreensão.
A estimativa dos investigadores é que o número de possíveis vítimas ultrapasse 100. A quantidade, entretanto, ainda está sendo apurada, e as autoridades continuam trabalhando para identificar outras crianças e adolescentes que possam ter sido abordados.
Como o suspeito se aproximava das vítimas
De acordo com a investigação, o homem utilizava perfis nas plataformas Roblox e Discord e se apresentava como criança ou adolescente para iniciar conversas com usuários. As vítimas identificadas até o momento tinham entre 6 e 14 anos.
Depois de estabelecer contato e conquistar a confiança dos menores, o investigado os convencia a continuar as conversas em outros aplicativos, principalmente Discord e WhatsApp. Nesses ambientes, segundo a polícia, ele realizava chamadas de vídeo e utilizava estratégias de manipulação emocional para manter o contato.
A investigação aponta que o suspeito induzia as vítimas a produzir e compartilhar fotos e vídeos íntimos, inclusive com situações envolvendo outras crianças e adolescentes.
Até o momento, os casos identificados pelas autoridades envolvem meninos e apresentam características semelhantes à ocorrência que deu origem à apuração.
Investigação começou após denúncia envolvendo criança de 7 anos
As diligências tiveram início depois de uma denúncia relacionada a uma criança de 7 anos que teria sido aliciada pelo investigado em ambiente virtual.
A partir desse primeiro registro, policiais da 26ª Delegacia de Polícia de Samambaia Norte, no Distrito Federal, aprofundaram as apurações e identificaram indícios de outras abordagens com características semelhantes.
Com autorização judicial, os investigadores tiveram acesso a dados telemáticos do suspeito. A análise dos dispositivos eletrônicos revelou milhares de fotografias e vídeos com conteúdo de abuso sexual envolvendo crianças e adolescentes, conforme informações da Polícia Civil.

Os equipamentos apreendidos passarão por perícia para auxiliar na identificação de possíveis vítimas e esclarecer a extensão das condutas investigadas.
Quais crimes são investigados?
O homem poderá responder, em tese, por estupro de vulnerável em contexto virtual, aliciamento de criança ou adolescente para fins sexuais e armazenamento de material de abuso sexual infantil, entre outros delitos que possam ser identificados durante a investigação.
Segundo as informações divulgadas sobre o caso, as penas máximas previstas para os crimes inicialmente considerados podem chegar, somadas, a 29 anos de reclusão. A aplicação de penas, contudo, depende do enquadramento jurídico de cada conduta e de eventual condenação pela Justiça.
A prisão preventiva não representa uma condenação. O investigado permanece sob suspeita, enquanto as autoridades dão continuidade à apuração.
Orientação aos pais e responsáveis
O caso reforça a importância de acompanhar as atividades de crianças e adolescentes em jogos on-line e aplicativos de conversa. Pais e responsáveis devem ficar atentos a contatos com desconhecidos, pedidos de segredo, solicitações de fotos ou vídeos, tentativas de levar conversas para outros aplicativos e ameaças relacionadas à divulgação de conteúdos pessoais.
Se houver suspeita de aliciamento, é importante acolher a criança sem culpá-la, preservar as conversas e os dados do perfil envolvido e procurar as autoridades. Não se deve compartilhar ou encaminhar imagens íntimas de menores, mesmo com a intenção de denunciar.
Denúncias de violência contra crianças e adolescentes podem ser feitas pelo Disque 100, pelo Conselho Tutelar ou diretamente à Polícia Civil. Em situações de emergência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo 190.
As investigações continuam para identificar outras possíveis vítimas e esclarecer a dimensão do caso.
Fonte: CM7 Brasil. Informações complementares: Polícia Civil do Distrito Federal, Metrópoles, UOL e A Tribuna.






