Uma grave crise trabalhista atinge o tradicional Hospital Beneficente Português do Amazonas, localizado na região central de Manaus. Funcionários da unidade denunciam estar há cerca de quatro meses sem receber salários, além de relatarem atrasos no pagamento de verbas rescisórias e ausência de recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A situação tem provocado insegurança financeira entre os trabalhadores e levantado questionamentos sobre a sustentabilidade administrativa da instituição.
De acordo com relatos de profissionais da enfermagem, técnicos, equipe administrativa e demais colaboradores, os problemas começaram ainda em novembro de 2025, quando apenas parte dos salários foi paga. Desde então, os vencimentos teriam deixado de ser quitados de forma regular, acumulando atrasos que já ultrapassam 120 dias. Muitos trabalhadores afirmam que continuam exercendo suas funções mesmo sem receber, enquanto outros relatam demissões sem o pagamento adequado das verbas rescisórias.
Além do impacto direto na vida financeira dos funcionários, a crise também atingiu o funcionamento da unidade hospitalar. Informações divulgadas indicam que setores como UTI, centro cirúrgico e pronto atendimento tiveram as atividades suspensas temporariamente. A direção do hospital teria comunicado que a paralisação faz parte de uma reorganização administrativa, enquanto tenta regularizar a situação financeira.

Em nota, a administração reconheceu atrasos salariais referentes a determinados meses, mas negou que os trabalhadores estejam há quatro meses sem pagamento integral. A instituição informou ainda que medidas administrativas estão sendo adotadas para tentar normalizar os débitos o mais rápido possível. No entanto, até o momento, não foi apresentado um cronograma oficial para a quitação dos valores pendentes.
Diante do cenário, o Sindicato dos Trabalhadores em Serviços de Saúde Privada do Estado do Amazonas anunciou mobilizações e cobrou providências dos órgãos competentes. A entidade afirma que já acionou instâncias como o Ministério Público do Trabalho para acompanhar o caso e apurar possíveis irregularidades trabalhistas, incluindo denúncias de coação a funcionários que tentam reivindicar seus direitos.
Fundado no século XIX, o Hospital Beneficente Português é uma das instituições mais antigas da capital amazonense e possui histórico de atendimento relevante à população. A atual crise, no entanto, expõe fragilidades na gestão e coloca em risco tanto os direitos dos trabalhadores quanto a continuidade dos serviços de saúde oferecidos à comunidade.
Enquanto aguardam uma solução concreta, funcionários relatam dificuldades para arcar com despesas básicas, como aluguel e alimentação, e cobram transparência da administração. O caso segue repercutindo na capital e deve ser acompanhado por autoridades trabalhistas e órgãos de fiscalização nos próximos meses.






