Com apenas três jogos pelo time principal do Santos, Matheus Oliveira precisou rodar bastante até encontrar o lugar onde se sente em casa no futebol. Hoje, do outro lado do mundo, o meia-atacante vive a melhor fase da carreira no Anyang, da Coreia do Sul, onde virou referência dentro de campo e personagem popular fora dele.
A fama a que chegou no país asiático rende até comparação improvável. Na cidade de Anyang, localizada a 21 quilômetros de Seul, o jogador conta que a esposa costuma brincar dizendo que ele é mais conhecido ali do que Neymar em Santos:
“Meus amigos acham que é exagero, mas eu falo que é surreal. Aqui me chamam de ‘Matequim’. Minha esposa brinca que, em Anyang, eu sou mais famoso do que o Neymar em Santos (risos)” , comentou Matheus, em entrevista ao ge.
“Às vezes vou buscar meu filho na escola e as pessoas param o carro para tirar foto. No shopping acontece a mesma coisa. Eu saio na rua e começam a gritar ‘Matequim’. Meu filho e minha esposa já entram na onda. É um carinho muito grande, e isso é muito gratificante.”
Passagem pelo Santos
Matheus chegou ao Santos em 2013 , depois de passagem pelo Pão de Açúcar, atual Osasco Audax, para reforçar o sub-17. Na base, conviveu com jogadores como Diego Pituca, Lucas Crispim e Arthur Gomes e guarda a passagem pelo clube como um divisor de águas fora de campo:
“O Santos me ajudou muito. Consegui tirar minha família da comunidade onde eu morava, e eu brinco com meus pais que o Santos nos deu tudo. Mesmo sem ter jogado muito no profissional, mudou a nossa vida. Aprendi demais ali.”
No clube, ele ainda passou pelo sub-23, comandado por Kleiton Lima, e chegou a ser promovido por Dorival Júnior em 2017. Mas não engrenou no time principal:
“Acho que me faltou entender melhor o tamanho da oportunidade. Quando subi, eu olhava para os caras do meu lado e pensava: ‘Caraca, estou no Santos’. Tinha Lucas Lima, Ricardo Oliveira, Bruno Henrique, Victor Ferraz… Eu admirava muito aquilo tudo.”
“Talvez tenha faltado virar a chave e pensar mais em competir por espaço. Eu trabalhava, mas hoje vejo que podia ter acreditado mais que também tinha condição de jogar.”
Rodagem pelo Brasil
Entre 2018 e 2023, Matheus passou por RB Brasil, Guarani, Ponte Preta, Oeste, Brasil de Pelotas, Atlético-GO, Remo, Água Santa e Mirassol antes de chegar ao São Bernardo .
Foi no clube do ABC paulista que apareceu a chance de atuar na Coreia do Sul.
O primeiro contato com o Anyang foi na pré-temporada, realizada na Tailândia por causa do inverno rigoroso na Coreia do Sul. A mudança, no entanto, não foi simples:
“A diferença cultural assusta um pouco no começo. Segurança, limpeza, organização… é tudo muito diferente. E no futebol também muda bastante. O jogador coreano é muito intenso, corre muito. A gente gosta mais da bola no pé, então precisa se adaptar rápido.”
“O mais complicado para mim foi o frio. A pré-temporada foi na Tailândia, no calor, então estava tudo certo. Quando cheguei à Coreia, era neve, frio e jogo. Na estreia, acho que fazia uns sete graus negativos. Pensei: ‘Acho que desaprendi a jogar bola’ (risos).”
A família como virada de chave
O começo foi abaixo do esperado, e Matheus atribui boa parte das dificuldades à distância da família. Na época, a esposa estava no Brasil, grávida de gêmeos, e a chegada dela à Coreia mudou a trajetória do jogador por lá:
“Eu sou muito família e sentia muito a distância. Minha esposa estava no Brasil para ter os gêmeos, e eu falei que precisava deles por perto. Quando ela conseguiu viajar, tudo mudou.”
“No jogo seguinte à confirmação de que ela vinha, fiz dois gols. Depois que ela chegou, eu não parei mais de fazer gol e dar assistência. Virou a chave para mim.”
Protagonismo na Coreia
A arrancada levou Matheus a um protagonismo raro. Ele foi o líder em assistências da segunda divisão da Coreia do Sul , com 11 passes para gol, entrou para a seleção do campeonato e ainda foi eleito o melhor jogador da competição .
De quebra, ajudou o Anyang a conquistar o título e o acesso.
Em 2026, o brasileiro voltou a empilhar bons números. Com 12 gols , aparece em quarto lugar na artilharia do Campeonato Sul-Coreano. A liderança é dividida por Patryk Klimala, do Seoul, e pelo brasileiro Yago Cariello, do Ulsan, ambos com 16.
O Anyang ocupa a oitava colocação , com 42 pontos, e também está classificado para as quartas de final da copa nacional. Recentemente, Matheus alcançou a marca de 100 jogos e 29 gols pelo clube.
Futuro
Apesar da fase especial na Coreia do Sul, Matheus não descarta um retorno ao futebol brasileiro. Segundo ele, já houve sondagens, mas a avaliação é de que ainda não é a hora de voltar:
“Meus empresários me passaram que houve sondagens de clubes das Séries A e B. Mas acho que esse ainda não é o momento. Estou vivendo muito bem aqui, e quando você tem filhos pesa também a segurança, a qualidade de vida, o aprendizado.”
“Eu quero voltar ao Brasil um dia, claro. Jogar em casa tem um valor muito grande. Mas, neste momento, penso em seguir mais um tempo por aqui e depois ver o que acontece.”
Fonte: ge






