Espanha concede cidadania a herdeiros das Brigadas Internacionais

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Membros sobreviventes das Brigadas Internacionais antifascistas durante cerimônia em 2009 / Créditos: Getty Images

O primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez anunciou uma medida que concede cidadania a 170 descendentes de voluntários das Brigadas Internacionais, que lutaram contra o fascismo durante a Guerra Civil Espanhola (1936–1939).

O anúncio ocorreu durante o mês que marca os 50 anos da morte do ditador Francisco Franco. Com essa iniciativa, o governo busca reconhecer o papel dos combatentes estrangeiros na defesa da democracia e reforçar a importância de preservar a memória histórica do país.

O legado das Brigadas Internacionais

Ao todo, cerca de 32 mil voluntários de mais de 50 países fizeram parte das Brigadas Internacionais, alistando-se para apoiar a República Espanhola contra o golpe militar liderado por Franco. Entre eles, estavam 2.500 homens e mulheres da Grã-Bretanha e da Irlanda, dos quais 530 perderam a vida em combate.

A concessão da cidadania cumpre uma antiga promessa da República de oferecer “um lar aos brigadeiros” e representa, segundo o governo, um gesto de reparação histórica e de gratidão a quem lutou pela liberdade espanhola, conforme repercutido pelo The Guardian. 

Memória e democracia

Entre os homenageados está Peter Crome, filho de Len Crome, médico que atuou nas Brigadas Internacionais e mais tarde foi condecorado por bravura na Segunda Guerra Mundial.

Jim Jump, presidente da International Brigade Memorial Trust, destacou que o gesto “apaga parte do legado tóxico deixado pela ditadura de Franco”.

A medida faz parte da Lei da Memória Democrática, que também prevê a remoção de símbolos do franquismo e a proibição da Fundação Nacional Francisco Franco, acusada de fazer “apologia à ditadura”.

Além disso, o governo homenageia vítimas da repressão, como o poeta Federico García Lorca e o cineasta Luis Buñuel, reafirmando o compromisso da Espanha com a reparação histórica e os valores democráticos.

Fonte: Aventuras na História