Operação investiga esquema familiar que desviava recursos da saúde pública em Manaus

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Operação investiga esquema familiar criminoso na saúde pública do Amazonas - Foto: Divulgação/CGU

Um esquema criminoso envolvendo empresas controladas por uma mesma família é alvo da Operação Metástase, deflagrada nesta quinta-feira, 16/10, em Manaus e Joinville (SC).

As investigações apontam que os envolvidos fraudavam licitações na área da saúde, pagavam propina a servidores públicos e deixavam de cumprir contratos, prejudicando diretamente o atendimento em maternidades e unidades de pronto-atendimento (UPAs) na capital amazonense.

A operação é a segunda fase da Jogo Marcado e conta com a participação da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Ministério Público do Amazonas (MPAM), por meio do GAECO. O prejuízo estimado aos cofres públicos ultrapassa R$ 1 milhão.

Como funcionava o esquema

Segundo o MP, a fraude começou com empresas ligadas a uma mesma família que disputavam licitações públicas com valores combinados previamente com servidores de dentro das unidades de saúde.

Com o avanço das investigações, descobriu-se que o esquema envolvia diversas unidades geridas pela Secretaria de Saúde do Estado (SES-AM), onde havia pagamento de propina para agilizar repasses financeiros.

A CGU passou a atuar no caso ao identificar o uso de recursos federais nos contratos sob suspeita. O órgão presta apoio técnico na análise de documentos e repasses.

Mandados e medidas judiciais

A operação cumpre:

  • 27 mandados de busca e apreensão em Manaus (AM) e Joinville (SC);
  • 3 prisões preventivas;
  • Suspensão de agentes públicos de suas funções;
  • Proibição de contratação com o poder público;
  • Quebra de sigilo de dados e bloqueio de bens no valor de R$ 1.014.892,65.

Ao todo, 120 agentes participam da ação, incluindo 16 servidores da CGU.

Atendimentos prejudicados

Para garantir lucro e pagar propina, as empresas superfaturavam contratos e não entregavam parte dos produtos e serviços contratados. Isso comprometeu diretamente o funcionamento de maternidades e UPAs em Manaus, afetando a população que depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS).

Nota do Governo do Amazonas

Em nota, o Governo do Amazonas informou que está acompanhando a operação, com apoio da Polícia Civil e colaboração da Secretaria de Saúde (SES-AM) nas investigações. O governo ressaltou que a maior parte dos contratos sob apuração foi firmada diretamente pelas unidades de saúde, modelo que não é mais permitido pela atual gestão.

A nota também afirma que o Executivo estadual vem reduzindo o uso de contratos indenizatórios, prática comum em gestões anteriores, com uma diminuição de 50% nos últimos anos. Por fim, o governo reiterou que não compactua com práticas ilícitas, que os servidores envolvidos já foram afastados, e que seguirá atuando para garantir transparência nas contratações públicas.

Como denunciar

Denúncias sobre este ou outros casos podem ser feitas pela Plataforma Fala.BR, mantida pela CGU. O formulário é online, gratuito e pode ser preenchido de forma anônima.

Acesse: falabr.cgu.gov.br; Selecione: “Operações CGU”; No campo “Fale aqui”, informe o nome da operação (Metástase) e o estado (Amazonas).

Fonte: Portal Rios