O Jiu-Jitsu amazonense completa 50 anos de história e celebra o chamado Jubileu de Ouro da modalidade com uma programação especial que reúne mestres, atletas, professores e personalidades que ajudaram a construir a trajetória do esporte no Estado.
A história contada pelos representantes da modalidade aponta o mestre Reizo Umbreze como uma das figuras fundamentais para a implantação do Jiu-Jitsu no Amazonas. Ele é lembrado como a “pedra angular” da modalidade no Estado, responsável por introduzir conhecimentos que posteriormente deram origem a diferentes gerações de atletas e professores.
Outro nome de destaque nessa trajetória é o mestre Sérgio Penha , que morou durante quase um ano no Amazonas, entre 1986 e 1987. Segundo os relatos apresentados durante a celebração, a passagem de Sérgio pelo Estado contribuiu para elevar o nível técnico do Jiu-Jitsu praticado em Manaus.
A evolução da modalidade foi marcada pela formação de novas gerações. Academias e projetos comandados por diferentes mestres deram origem a atletas que posteriormente conquistaram títulos nacionais e internacionais, ampliando a presença do Jiu-Jitsu amazonense no cenário esportivo.
Projetos sociais transformam comunidades
Além da formação esportiva, o Jiu-Jitsu é apresentado como uma ferramenta de inclusão social. Projetos desenvolvidos em diferentes comunidades de Manaus utilizam a modalidade para oferecer aos jovens uma alternativa de esporte, disciplina e educação.
De acordo com os depoimentos, iniciativas comandadas por mestres como Pena , Humberto , Alessandro e Luiz Neto , além de outros projetos, contribuíram para revelar atletas que chegaram a disputar campeonatos brasileiros e mundiais.
Um dos exemplos citados é a seletiva de Jiu-Jitsu realizada em Manaus, que reuniu cerca de 1.600 atletas. A iniciativa prevê apoio para competidores classificados, incluindo passagens e ajuda de custo para participação no Campeonato Brasileiro, em São Paulo.
Para os representantes do esporte, o objetivo é democratizar o acesso ao Jiu-Jitsu e ampliar as oportunidades para crianças e adolescentes de comunidades. A modalidade é apontada como instrumento de ressocialização e resiliência, capaz de contribuir para afastar jovens da criminalidade e aproximá-los da educação e do esporte.
De Manaus para o mundo
A trajetória construída ao longo de cinco décadas também ajudou a projetar atletas amazonenses para o cenário internacional. Durante a celebração, foram lembrados nomes que saíram das academias e projetos do Estado para conquistar títulos e reconhecimento fora do Amazonas.
O mestre Sérgio Penha destacou o caráter transformador do Jiu-Jitsu e afirmou que o esporte teve papel fundamental em sua própria trajetória. Segundo ele, a paixão pela modalidade fez com que os praticantes buscassem superar limites físicos e emocionais, levando o esporte a patamares que, décadas atrás, eram difíceis de imaginar.
A presença feminina também aparece como parte dessa transformação. Sérgio relembrou que, no início de sua trajetória, o Jiu-Jitsu era predominantemente masculino e havia poucas mulheres praticando a modalidade. Atualmente, segundo o relato, a realidade é diferente, com mulheres ocupando espaço cada vez maior dentro do esporte.
Inclusão social e educação
Para professores e profissionais ligados à modalidade, o Jiu-Jitsu ultrapassa os limites do tatame. O esporte é apontado como instrumento de inclusão social e educação, principalmente quando inserido em projetos voltados para crianças e jovens de comunidades.
Um dos relatos destaca experiências desenvolvidas em parceria com projetos sociais e ações de formação de professores de Educação Física no interior do Amazonas. A proposta é utilizar o esporte como ferramenta de transformação social e de conhecimento sobre direitos e cidadania.
A história da modalidade no Amazonas também é marcada pela formação de uma extensa rede de mestres e atletas. Entre os nomes lembrados está Reizo Umbreze , além de mestres e atletas que contribuíram para a consolidação do Jiu-Jitsu no Estado. Também foi destacada a importância de Alínes Maio , apontado no relato como o primeiro amazonense a ganhar destaque fora do Estado e posteriormente ligado à criação do Jungle Fight.
Programação marca os 50 anos
As comemorações do Jubileu de Ouro incluem dois momentos principais. O primeiro acontece no Centro de Treinamento Henrique Machado , no bairro Coroado, com um seminário ministrado pelos mestres Sérgio Penha e Eduardo Penha.
O encontro é destinado a cerca de 200 faixas-pretas que estão em atividade e dão aulas, com o objetivo de compartilhar conhecimento técnico e contribuir para o desenvolvimento das academias.
À noite, a programação segue para a Casa de Praia Zezinho Corrêa , na Ponta Negra. No local, Sérgio Penha recebe o título de Cidadão do Amazonas e, na sequência, ocorre a celebração oficial dos 50 anos do Jiu-Jitsu no Estado.
A programação também prevê homenagens a pessoas que contribuíram para o desenvolvimento da modalidade, incluindo representantes do esporte, do poder público, do Judiciário, do Ministério Público e das forças de segurança.






