Flamengo reúne precedentes da Conmebol para tentar vaga na final da Libertadores após eliminação
O Flamengo está recorrendo a decisões anteriores da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) para tentar reverter sua eliminação na semifinal da Copa Libertadores de 2026. O clube contesta a escalação do zagueiro Marcos Rojo, do Estudiantes, no confronto de volta disputado no Maracanã e busca uma decisão que possa alterar o resultado do duelo.
Além do caso envolvendo o Santos, em 2018, o departamento jurídico rubro-negro considera outros episódios em que a entidade sul-americana analisou situações de possível escalação irregular de jogadores. Os precedentes, porém, tiveram desfechos diferentes, e nem todos resultaram em mudanças nos resultados das partidas.
Caso Marcos Rojo está no centro da disputa
O Estudiantes utilizou Marcos Rojo na partida de volta da semifinal, mesmo após a Conmebol ter rejeitado anteriormente sua inscrição para a Libertadores. O clube argentino recorreu ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS, também conhecido pela sigla internacional CAS) e obteve autorização provisória para escalar o defensor.
O Flamengo havia comunicado que contestaria a participação do jogador caso ele entrasse em campo. Após ser eliminado na disputa por pênaltis, o clube apresentou uma reclamação e passou a defender que a escalação contrariou as regras da competição.
O regulamento disciplinar da Conmebol prevê, em determinadas situações de escalação indevida, a atribuição de derrota por 3 a 0 à equipe responsável. A aplicação dessa regra ao caso depende da análise das circunstâncias e da decisão das instâncias competentes.
Chapecoense perdeu pontos após escalar jogador suspenso em 2017
Um dos precedentes citados envolve a Chapecoense e o Lanús, pela fase de grupos da Libertadores de 2017. Na ocasião, a Conmebol informou que o zagueiro Luiz Otávio não poderia atuar por estar suspenso em razão de uma expulsão anterior.
A Chapecoense escalou o defensor, que marcou o gol da vitória por 2 a 1. Posteriormente, a entidade puniu o clube brasileiro, retirou os pontos conquistados e registrou vitória por 3 a 0 para o Lanús. A decisão teve impacto na campanha da equipe catarinense na competição.
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San Lorenzo conseguiu vitória administrativa na Sul-Americana de 2018
Em 2018, o San Lorenzo apresentou uma reclamação contra o Deportes Temuco, do Chile, pela Copa Sul-Americana. O clube argentino alegou que o jogador Jonathan Requena estava irregularmente inscrito, pois aparecia na documentação de outra equipe na mesma competição.
A Conmebol acolheu a reclamação e transformou o resultado da partida de ida em vitória por 3 a 0 para o San Lorenzo. O Deportes Temuco recorreu, mas a punição foi mantida. Mesmo vencendo o jogo de volta por 1 a 0, a equipe chilena não conseguiu reverter a desvantagem no placar agregado.
River Plate não foi punido no caso Bruno Zuculini
Outro episódio ocorreu na Libertadores de 2018, envolvendo o River Plate e o volante Bruno Zuculini. O jogador tinha uma suspensão pendente de uma competição anterior e atuou em partidas do torneio continental.
Apesar da situação, os adversários não apresentaram reclamações dentro do prazo previsto para contestar as escalações. O Racing tentou questionar o caso posteriormente, mas a Conmebol decidiu não alterar os resultados.
A entidade reconheceu que houve um erro administrativo relacionado à informação sobre a situação disciplinar do atleta. O episódio é diferente dos casos em que houve uma reclamação apresentada dentro do prazo regulamentar.
Santos foi eliminado após punição em 2018
O caso mais conhecido entre os precedentes é o do Santos, que enfrentou o Independiente, da Argentina, nas oitavas de final da Libertadores de 2018.
Após o empate por 0 a 0 no jogo de ida, o clube argentino reclamou da escalação do meia Carlos Sánchez. O uruguaio ainda tinha uma suspensão pendente, recebida quando defendia o River Plate, e a Conmebol considerou irregular sua participação na partida.
A entidade alterou o resultado para 3 a 0 a favor do Independiente. No confronto de volta, o Santos voltou a empatar por 0 a 0 e acabou eliminado da competição.
O episódio é utilizado pelo Flamengo como argumento para defender a aplicação das regras disciplinares no caso envolvendo Marcos Rojo. Ainda assim, a existência de um precedente não significa que a nova reclamação terá necessariamente o mesmo resultado.
Barcelona de Guayaquil também foi punido em 2019
Na Libertadores de 2019, o Barcelona de Guayaquil, do Equador, foi alvo de uma reclamação do Defensor Sporting, do Uruguai. O questionamento envolvia a inscrição de Sebastián Pérez, que teria sido realizada sem que o Certificado Internacional de Transferência estivesse disponível dentro do prazo exigido.
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A Conmebol aceitou a reclamação e modificou o resultado do jogo de ida, que havia terminado com vitória equatoriana por 2 a 1. Na partida de volta, o Barcelona venceu por 1 a 0, mas o resultado não foi suficiente para garantir a classificação.
Flamengo aguarda análise do caso
A disputa sobre a participação de Marcos Rojo ainda depende da avaliação dos órgãos competentes. A autorização provisória para o jogador atuar não representa, por si só, uma decisão definitiva sobre eventuais consequências esportivas para o Estudiantes.
O Flamengo tenta utilizar os casos anteriores para sustentar seu pedido, mas as diferenças entre os episódios — como os prazos das reclamações, as circunstâncias das inscrições e as decisões administrativas — podem influenciar o julgamento.
A final da Libertadores de 2026 está prevista para 28 de novembro, em Montevidéu, entre Palmeiras e Estudiantes. Uma eventual mudança na classificação dependerá de uma decisão oficial sobre a contestação apresentada pelo clube brasileiro.
Fonte: ge.






