O Grêmio Recreativo e Folclórico Ciranda (CRFC) Tradicional, representante do bairro Terra Preta, conquistou o título de campeão do 27º Festival Folclórico de Cirandas de Manacapuru. Com o tema “Sapucai’Ay: O grito que vem das águas” a agremiação obteve 279,7 pontos ao final da apuração de notas realizada na tarde desta segunda-feira (1º) no Parque do Ingá, o Cirandódromo, localizado naquele município distante 68 quilômetros em linha reta de Manaus.
“Eu não meço esforços para que esse festival venha crescer. Eu me dedico. Eu estou muito emocionado. Vocês não sabem o quanto eu estava desesperado e nervoso. É muito bom viver esse momento. A Tradicional vinha duas vezes maior que no ano passado. Esse ano pude fazer melhor ainda. Um mérito não somente meu, mas de toda equipe, minha diretoria, meus cirandeiros, meus itens. Hoje estou muito feliz com esse momento”, disse Magal Pinheiro, presidente do GRFC Tradicional.
No segundo lugar ficou o GRFC Flor Matizada com 275,5 pontos que defendeu na noite de domingo (30) o tema “Amazônia: Sonho e Luta Cirandeira”. A Família Matizada (FAMA), torcida oficial da agremiação, levou o título de melhor torcida do festival pelo 17º ano consecutivo. O GRFC Guerreiros Mura ficou na terceira colocação com 279,2. A agremiação abriu o festival na noite de sexta-feira (29) com o tema “Estiagem e Alagação: O segredo das Águas”.
Thyago Cavalcante, membro da comissão de artes do GRFC Tradicional celebrou o sétimo título na história da agremiação. “Sabíamos no final da nossa apresentação que somente nós poderíamos perder para a gente. Se conseguíssemos colocar na arena tudo o que estava planejado já seríamos campeões. E deu tudo certo. Nós vamos para a Terra Preta comemorar e só isso importa. O que estiver ao redor e além disso não importa. O que importa é a Tradicional campeã e a Terra Preta feliz”, disse.
Apresentação
A Tradicional apresentou ao longo das noites as ameaças trazidas pelas mudanças climáticas. O enredo da apresentação se desenvolveu para mostrar também a força dos povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos. Um módulo alegórico em formato de arco-íris brilhava no centro da arena para mostrar a formação da Terra. Com alegorias grandiosas, cores reluzentes e recursos tecnológicos, como o uso de hologramas, a agremiação atrelou tecnologia e arte ao discurso por justiça climática.
O cordão principal de cirandeiros surgiu do meio da arquibancada junto da Torcida Oficial Tradicional (TOT). O cordão de entrada, caracterizado como seres aquáticos e encantados que emergem das águas, também foi destaque. A encenação, inspirada na vida subaquática, contou com um balé aéreo, que surgiu do arco-íris. Um dos marcos da noite foi a representação de Oxum, orixá das águas doces, cultuada nas religiões de matriz africana. Os itens oficiais e personagens da ciranda surgiram em alegorias monumentais.




