O deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) comparou, na noite desta segunda-feira (12), as condições de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro às do ex-governante venezuelano Nicolás Maduro, atualmente detido nos Estados Unidos. Em um vídeo publicado em seu perfil no X, o parlamentar afirmou ter “inveja do Maduro” ao ver imagens do ex-líder venezuelano caminhando em um espaço amplo e tomando banho de sol, enquanto, segundo ele, seu pai estaria submetido a condições mais restritivas no Brasil.
“Tenho inveja do Maduro. Sim, é isso! Quando você vê esse tipo de imagem, onde ele pode andar em um bom espaço, eu começo a comparar com meu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi condenado a 27 anos de prisão, porque em uma suposta tentativa de golpe de estado, em um dia em que nenhuma arma, nenhum revólver foi apreendido, em 8 de janeiro de 2023, quando meu pai estava literalmente na Disney World, em Orlando”, diz Eduardo.
Na gravação, o deputado afirma que Jair Bolsonaro estaria detido em um espaço de cerca de 30 metros quadrados, dimensão que contrasta com informações oficiais da Polícia Federal, que indicam que a sala preparada para o ex-presidente na Superintendência da PF em Brasília tem aproximadamente 12 metros quadrados. O local conta com cama de solteiro, banheiro privativo, ar-condicionado, frigobar, televisão, escrivaninha, armário e cadeira.
Eduardo também criticou o barulho do ar-condicionado e o que chamou de falta de assistência adequada ao pai. Segundo ele, Jair Bolsonaro teria caído durante a noite, batido a cabeça e só recebido atendimento médico horas depois, quando agentes abriram a porta da cela pela manhã.
“Quando você pensa que algo pode acontecer com o Maduro, com certeza ele receberá o médico, a assistência médica adequada. Meu pai, durante a noite, caiu e bateu a cabeça em algum lugar, e as pessoas só souberam que algo tinha acontecido no dia seguinte”, afirmou.
O deputado ainda destacou que, no caso de Bolsonaro, qualquer deslocamento para atendimento hospitalar dependeria de autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator dos processos relacionados à tentativa de golpe após as eleições de 2022.
“Esse é o tipo de ditadura que estamos vivendo no Brasil. Como você chama um sistema que faz coisas assim? Democracia? Tem certeza?”, questionou.
Maduro está detido no Centro de Detenção Metropolitano (MDC), no Brooklyn, em Nova York, uma prisão federal de segurança máxima que abriga presos considerados de alta periculosidade. As celas do setor conhecido como Special Housing Unit (SHU) têm cerca de 2,4 metros por 3 metros, com cama de aço, colchão fino e iluminação permanente, menor do que a cela do ex-presidente brasileiro. O presídio é alvo frequente de críticas por superlotação, más condições estruturais e falta de pessoal, além de já ter abrigado nomes como o ex-presidente da CBF José Maria Marin, o rapper Sean “Diddy” Combs e Michael Cohen, ex-advogado de Donald Trump.
Já Jair Bolsonaro foi preso por ordem de Alexandre de Moraes após a identificação de uma violação da tornozeleira eletrônica, o que levou o ministro a apontar risco de fuga e a determinar o fim da prisão domiciliar. Posteriormente, Moraes decidiu que o ex-presidente deveria permanecer na Superintendência da PF em Brasília para cumprir a pena de 27 anos e três meses imposta no processo da trama golpista, que, segundo a decisão, transitou em julgado.
A legislação brasileira prevê que ex-presidentes cumpram pena em instalações compatíveis com a chamada “sala de Estado-Maior”, medida que busca garantir segurança e condições dignas ao custodiado.
Fonte: O Globo






