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07/03/2026

STF avança no julgamento do caso Marielle e voto de Moraes reforça tese de crime político ligado à milícia

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Nesta terça (24), a Supremo Tribunal Federal realizou oprimeiro dia de julgamento dos acusados de terem ordenado o assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes, crime que chocou o Brasil em 2018 e se tornou um símbolo da luta contra a violência política e a impunidade. A sessão marcou um momento decisivo no processo, com voto do relator do caso, Alexandre de Moraes, e uma reflexão ampliada sobre a presença e a atuação de milícias em espaços públicos.

O voto de Alexadre de Moraes e a tese de crime político

O ministro Alexandre de Moraes abriu a fase decisiva do julgamento defendendo a condenação dos cinco réus acusados de participação no crime. Para Moraes, a execução de Marielle e Anderson teve motivação política e foi impulsionada por interesses de grupos milicianos que atuam na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Durante seu voto, ele afirmou que Marielle representava uma voz crítica que “peitava os interesses da milícia”, em especial por sua atuação fiscalizando e denunciando poderes paralelos e estruturas criminosas. Moraes reforçou que o assassinato teve também elementos de misoginia, racismo e intolerância política, citando a trajetória da vereadora como mulher negra, lésbica e defensora dos direitos humanos.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) sustentou durante a sustentação oral que o homicídio foi planejado e executado com natureza política e uso de organização criminosa, o que configura qualificadoras graves do crime. Em contrapartida, as defesas argumentaram pela fragilidade de provas, questionando, em especial, a credibilidade de delações premiadas utilizadas pela acusação.

Repercussões e manifestações

O julgamento teve forte repercussão política e social. A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, irmã de Marielle, defendeu que o processo representa um momento histórico na luta contra a violência política e contra a cultura de impunidade. Ela afirmou que o país observa não apenas um julgamento, mas uma reafirmação de que crimes políticos não ficarão sem resposta.

Nas redes sociais, parlamentares, ativistas e artistas comentaram o julgamento. Muitos reforçaram que a responsabilização dos réus pode sinalizar um avanço institucional importante para proteger pessoas — especialmente mulheres negras e lideranças comunitárias — que enfrentam ameaças por sua atuação pública.

Jornalistas de grandes veículos como CNN Brasil e G1 enfatizaram que o processo é um divisor de águas no entendimento da Corte sobre crimes que atentem contra a democracia e a segurança de representantes eleitos.

Na sessão, em que uma fala de Moraes durante o julgamento ilustra o argumento central da acusação: que Marielle confrontava interesses de milícias em áreas dominadas por esses grupos. A peça audiovisual reforça a narrativa de que as motivações para o crime não se limitaram à violência isolada, mas tiveram relação direta com o confronto entre política, direitos humanos e poder paralelo.

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