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07/03/2026

Prefeitura de Manaus descumpre decisão judicial e mantém aumento de salários para prefeito e secretários

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A Prefeitura de Manaus é acusada de descumprir decisão judicial de agosto deste ano, que suspendeu a lei aprovada no fim de 2024 que aumentou os salários do prefeito, vice-prefeito, secretários, subsecretários e vereadores para o período de 2025 a 2028.

De acordo com o advogado Daniel Ribas da Cunha, autor da ação popular que resultou na suspensão da lei, os pagamentos com os valores reajustados continuam sendo feitos normalmente, apesar da determinação da Justiça.

O advogado explicou que o novo magistrado responsável pelo caso tratou o processo como se estivesse começando do zero, em vez de aplicar as penalidades já definidas.

Ribas afirmou que não consegue contato direto com o TJAM para obter esclarecimentos sobre o processo e pretende levar o caso ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Diante da continuidade dos pagamentos, o advogado pediu o cumprimento da sentença e a aplicação da multa prevista. Na decisão, o magistrado estabeleceu prazo de cinco dias para o cumprimento por parte dos réus, sob pena de multa diária de R$ 5 mil, limitada a 20 dias com aplicação de multa máxima de R$ 100 mil.

Extrato salarial do prefeito referente ao mês de outubro, dois meses após a decisão judicial – Foto: (Portal da Transparência).
Extrato salarial do vice-prefeito referente ao mês de outubro, dois meses após a decisão judicial – Foto: (Portal da Transparência)
Extrato salarial do secretário da Casa Civil referente ao mês de outubro, dois meses após a decisão judicial – Foto: (Portal da Transparência)

Entenda o caso

O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) decidiu, por unanimidade, no dia 8 de agosto, manter a suspensão da Leis Municipal 589 de 2024, que aumentava os salários de agentes políticos municipais. A medida foi tomada por violar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que proíbe reajustes nos últimos 180 dias do mandato.

A legislação aumentava os salários do prefeito de R$ 27 mil para R$ 35 mil; do vice-prefeito, de R$ 26 mil para R$ 32 mil; dos secretários municipais, de R$ 17,1 mil para R$ 27 mil; e dos subsecretários, de R$ 15,3 mil para R$ 22 mil.

A relatora do caso, desembargadora Mirza Telma de Oliveira Cunha, destacou que o ato “representa ofensa aos princípios da moralidade e da impessoalidade”.

O impacto financeiro da medida, segundo Daniel Ribas, seria de R$ 32,2 milhões por ano, o equivalente a R$ 672 mil por mês.

O que diz os envolvidos?

Foram encaminhados pedidos de esclarecimento à Prefeitura de Manaus e ao Tribunal de Justiça solicitando informações sobre o motivo da continuidade do pagamento dos reajustes salariais, mesmo após a decisão judicial que suspendeu os aumentos.

Em nota enviada ao Portal Rios de Notícias, o TJAM informou que o processo “tramita regularmente” na 2ª Vara da Fazenda Pública e que, no momento, há um embargo de declaração em análise no 2º Grau. O Tribunal explicou que o recurso contém um pedido de efeito suspensivo, mas ressaltou que enquanto esse pedido não for analisado, a decisão anterior, que suspendeu os reajustes, “permanece em pleno vigor”.

O Tribunal destacou ainda que embargos de declaração não suspendem automaticamente os efeitos da decisão impugnada, a menos que haja uma determinação expressa nesse sentido. “Portanto, a decisão do agravo continua válida e produzindo efeitos”, conclui o comunicado.

Fonte: Portal Rios

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