O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acendeu o sinal de alerta para uma das bases mais fiéis de sua eleição: a juventude. De acordo com o novo levantamento da AtlasIntel, divulgado nesta quinta-feira (26 de março de 2026), a desaprovação da gestão federal entre jovens de 16 a 24 anos atingiu o patamar de 56%, o nível mais alto registrado desde o início do mandato.
O dado contrasta drasticamente com o desempenho de Lula nas urnas em 2022, quando o voto jovem foi apontado como um dos pilares para derrotar Jair Bolsonaro. Agora, esse eleitorado parece liderar a insatisfação, superando inclusive faixas etárias historicamente mais conservadoras.
O Que Explica o Afastamento?
Analistas políticos e portais de notícias como Veja e Estadão apontam três fatores determinantes para essa “fadiga” da juventude com o atual governo:
- Economia e Custo de Vida: A percepção de que o poder de compra não se recuperou como prometido atinge diretamente quem está entrando no mercado de trabalho. O aumento nos preços de serviços e tecnologia pesa no bolso desse público.
- Segurança Pública: Este tema, antes secundário para a esquerda, tornou-se central. O avanço da criminalidade urbana e a sensação de insegurança têm empurrado o jovem para discursos de “mão firme”, pauta frequentemente explorada pela oposição.
- Comunicação Digital: Enquanto a oposição mantém uma rede orgânica e ágil em plataformas como TikTok e Instagram, o governo federal enfrenta dificuldades para furar bolhas e falar a linguagem da “Geração Z”, sendo visto muitas vezes como anacrônico.
Comparativo de Aprovação por Faixa Etária
| Faixa Etária | Aprovação (%) | Desaprovação (%) |
| 16 a 24 anos | 38% | 56% |
| 25 a 34 anos | 42% | 51% |
| 45 a 59 anos | 47% | 46% |
| 60 anos ou mais | 52% | 41% |
Reação do Governo e da Oposição
Nos bastidores do Palácio do Planalto, a ordem é “rejuvenescer” a agenda. O Ministério da Educação (MEC) e a Secretaria-Geral da Presidência planejam para o próximo trimestre o lançamento de novos pacotes de crédito educativo e incentivos ao primeiro emprego, tentando estancar a sangria de apoio.
Por outro lado, nomes da direita e centro-direita já utilizam os dados da AtlasIntel para pavimentar o caminho rumo às eleições de outubro. Pré-candidatos ao Congresso e ao Governo têm focado seus discursos em empreendedorismo e liberdade econômica, termos que encontram ressonância entre jovens desiludidos com as estruturas tradicionais.
“O jovem de hoje não vota mais por gratidão histórica a programas de 20 anos atrás. Ele vota pela perspectiva de futuro, e é aí que o governo está falhando”, afirma o cientista político Andrei Roman, CEO da AtlasIntel.
O Peso para 2026
Com as eleições presidenciais no horizonte, a perda de entusiasmo dessa fatia do eleitorado pode ser fatal para os planos de reeleição ou de sucessão de Lula. Se em 2022 o “voto útil” jovem salvou o PT, em 2026 a abstenção ou a migração para nomes da terceira via e da direita podem redesenhar o mapa político do Brasil.






