Operação Erga Omnes: Ex-chefe de gabinete de David Almeida é presa por elo com núcleo político do Comando Vermelho

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A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (20), a Operação Erga Omnes, com o objetivo de desarticular o braço político e financeiro de uma organização criminosa ligada à facção Comando Vermelho (CV). Entre os principais alvos detidos está Anabela Cardoso de Freitas, atual integrante da comissão de licitação da Prefeitura de Manaus e ex-chefe de gabinete pessoal do prefeito David Almeida.

Esquema financeiro e prisões

Segundo as investigações coordenadas pelo 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), o grupo movimentava cerca de R$ 9 milhões anuais. A participação de Anabela é considerada estratégica: a polícia aponta que ela teria movimentado aproximadamente R$ 1,5 milhão em favor da facção, utilizando empresas de fachada e uma transportadora logística para lavagem de dinheiro.

A operação revelou uma rede de infiltração em órgãos públicos. Além de Anabela, foram presos:

  • Um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM);
  • Ex-assessores ligados a três vereadores;
  • Um servidor municipal
  • Uma policial civil.

Dinâmica do crime e alcance interestadual

A investigação, que durou meses, indica que o núcleo político captava recursos com traficantes para a compra de entorpecentes na Colômbia. Manaus servia como o principal ponto de articulação para a distribuição das drogas, que eram enviadas para diversas cidades brasileiras.

A Justiça expediu um total de 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, além de determinar o bloqueio de contas e a quebra de sigilos bancários. Até o momento, 14 pessoas foram presas, sendo oito na capital amazonense.

A ofensiva possui caráter interestadual, com ações simultâneas em outros seis estados:

  • Ceará, Piauí, Pará, Maranhão, São Paulo e Minas Gerais.

Histórico e desdobramentos

Anabela Cardoso Freitas possui uma relação de longa data com a gestão atual, acompanhando David Almeida desde 2017, época em que ele era deputado estadual. Sua prisão coloca pressão direta sobre a administração municipal devido à gravidade das suspeitas de infiltração do crime organizado em setores estratégicos, como o de licitações.

A Polícia Civil deve realizar uma coletiva de imprensa para detalhar o papel individual de cada investigado e os próximos passos do inquérito, que segue em andamento para identificar outros possíveis envolvidos.

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