Uma série de operações policiais coordenadas nos últimos dias intensificou o combate ao comércio de minérios ilegais no Amazonas. Entre a capital, Manaus, e municípios do interior, forças de segurança conseguiram interceptar carregamentos de ouro que, segundo as investigações, alimentam redes do crime organizado e causam prejuízos bilionários ao patrimônio da União.
Monitoramento e Prisão em Manaus
Nesta quinta-feira (26/03), a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO/AM), composta por agentes da Polícia Federal e forças estaduais, realizou a apreensão de barras metálicas com características de ouro em uma embarcação atracada em Manaus.
A ação foi fruto de um trabalho de inteligência que monitorava o transporte do material desde as zonas de garimpo. De acordo com a Polícia Federal, o material apresentava sinais de fundição artesanal, prática comum no garimpo clandestino para dificultar o rastreio da origem do metal.
Interceptação na Transamazônica
Enquanto a capital era alvo da FICCO, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Polícia Militar realizaram uma apreensão significativa em Humaitá, no sul do Amazonas. Durante uma fiscalização na rodovia BR-230 (Transamazônica), os agentes abordaram duas caminhonetes e encontraram 1,6 kg de ouro ilegal.
Os suspeitos detidos em Humaitá confessaram que o minério seria levado para Porto Velho (RO) e, posteriormente, teria como destino final a Bolívia. O caso acendeu um alerta nas autoridades sobre a consolidação do Amazonas como uma rota estratégica de escoamento para o mercado internacional.
O Peso da Ilegalidade
O combate ao ouro ilegal no estado tem ganhado contornos dramáticos nos últimos meses. Segundo dados do Centro de Monitoramento da PF, somente em 2026, as operações contra o garimpo no Amazonas já causaram um impacto econômico superior a R$ 1,4 bilhão ao crime organizado, com a destruição de centenas de dragas e estruturas de extração.
“O ouro ilegal não é apenas um crime ambiental; ele está intrinsecamente ligado à lavagem de dinheiro, ao tráfico de armas e à exploração de trabalhadores em situação análoga à escravidão”, destacou um porta-voz da FICCO durante coletiva recente.
Punições Severas
Os envolvidos nas apreensões desta semana foram encaminhados às delegacias competentes e devem responder por:
- Usurpação de bens da União;
- Crime ambiental (pela extração e transporte sem licença);
- Lavagem de dinheiro (em casos de reincidência ou prova de estruturação criminosa).
As barras apreendidas foram enviadas para perícia técnica na Superintendência da Polícia Federal, onde serão submetidas a análises químicas para identificar de qual região da floresta o metal foi extraído.






