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07/03/2026

O Amazonas não é hype: por que visitar Manaus na sua próxima viagem?

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Manaus acaba de entrar em uma lista global de destinos em alta para 2026 — e o dado ajuda a explicar um movimento que vai além de tendência passageira. A capital do Amazonas foi apontada por um levantamento internacional de comportamento de viajantes como um dos lugares que devem ganhar protagonismo neste ano, impulsionada pela combinação de biodiversidade, patrimônio cultural e experiências imersivas.

O reconhecimento faz parte da pesquisa anual de previsões de viagem da Booking.com, que analisou dados de reservas e interesses de usuários para mapear para onde o mundo deve viajar — e por quê. Entre os critérios estão crescimento nas buscas e diversidade geográfica. Mas, mais do que o ranking, a escolha de Manaus revela uma mudança de lógica: viagens cada vez mais guiadas por significado, experiência e conexão com o território.

Mercado Municipal de Manaus — Foto: Malu Pinheiro
Mercado Municipal de Manaus — Foto: Malu Pinheiro

Isso ajuda a explicar por que a cidade vem ganhando esse protagonismo — mas entender Manaus de verdade exige ir além das ideias prontas. A resposta aparece rápido e não cabe em estereótipos. Manaus não é só ponto de partida para a floresta: é metrópole viva, patrimônio histórico, arquitetura marcante e uma cultura própria, moldada pelo território. Passei cinco dias na cidade e reuni aqui os principais motivos para você colocar o destino no radar da sua próxima viagem.

Uma metrópole cercada de floresta (e moldada por ela)

Com mais de 2 milhões de habitantes, Manaus é uma das maiores cidades do Brasil — e, ao mesmo tempo, uma das mais isoladas geograficamente. Cercada pela floresta tropical e conectada principalmente por via aérea e fluvial, ela desenvolveu uma identidade própria, em que urbano e natural não competem: coexistem.

O Rio Negro, de águas escuras e ácidas, influencia o ecossistema, o clima e até a presença de insetos em determinadas áreas. O estado do Amazonas faz fronteira com oito países e concentra uma das maiores extensões contínuas de floresta do planeta — e a capital funciona como eixo de acesso e interpretação desse território.

Encontro das Águas — Foto: Malu Pinheiro
Encontro das Águas — Foto: Malu Pinheiro

O passeio até o Encontro das Águas — onde Rio Negro e Solimões correm lado a lado sem se misturar — continua sendo uma das experiências mais impressionantes da região. Visualmente marcante e cientificamente explicável, é um dos ápices da experiência.

Palácio Rio Negro — Foto: Malu Pinheiro
Palácio Rio Negro — Foto: Malu Pinheiro

Ainda na cidade, o Palácio Rio Negro ajuda a entender o ciclo de riqueza que transformou a cidade no auge da borracha. Construído em 1903, o prédio — antes chamado Palácio Scholz — já foi sede do poder executivo e residência de governadores. Hoje funciona como centro cultural e espaço de visitação. Foi nesse período que Manaus ganhou infraestrutura urbana ambiciosa e equipamentos culturais de padrão europeu, impulsionados pela gestão de Eduardo Gonçalves Ribeiro, governador responsável pela modernização da cidade e figura central na sua urbanização.

Museu da Amazônia (MUSA) — Foto: Malu Pinheiro
Museu da Amazônia (MUSA) — Foto: Malu Pinheiro

Museu da Amazônia (MUSA) propõe outra forma de contato com a natureza: são cerca de 100 hectares de floresta combinando pesquisa científica, conservação e visitação. Trilhas, torres de observação e percursos guiados transformam biodiversidade em conhecimento acessível — não é só contemplar, é entender.

Teatro Amazonas — Foto: Malu Pinheiro
Teatro Amazonas — Foto: Malu Pinheiro

Na praça principal da cidade, o Teatro Amazonas é o maior símbolo do período áureo da borracha. Inaugurado em 1896, reúne materiais importados, cúpula monumental e um interior pensado para espetáculos e encontros da elite econômica da época. O prédio tem 701 lugares e passou por diferentes reformas e cores ao longo dos anos, mas mantém o rosa imperial como identidade atual.

A cúpula e o teto pintado — cheios de simbologia ligada às artes do espetáculo — ajudam a explicar por que o teatro segue sendo não apenas ponto turístico, mas referência cultural ativa.

Presidente Figueiredo: o bate-volta que vale a pena

A cerca de 107 km de Manaus — aproximadamente 2 horas de carro —, Presidente Figueiredo é um dos bate-voltas mais completos para quem quer ver a Amazônia em escala mais selvagem, com logística relativamente simples. Conhecida como a “terra das cachoeiras”, a cidade concentra dezenas de quedas d’água, grutas e cavernas dentro de áreas de proteção ambiental. O acesso é feito por estrada asfaltada (BR-174), e a maioria dos roteiros é organizada em passeios de dia inteiro, com saída cedo de Manaus e retorno no fim da tarde.

Trilha para a Caverna do Maroaga, em Presidente Figueiredo — Foto: Malu Pinheiro
Trilha para a Caverna do Maroaga, em Presidente Figueiredo — Foto: Malu Pinheiro

Entre os destaques estão a Caverna do Maroaga — com cerca de 20 metros de altura e centenas de metros de profundidade —, a Gruta da Judéia, a Lagoa Cristalina, o Rio Vermelho e a Cachoeira de Iracema.

Cachoeira de Iracema, em Presidente Figueiredo — Foto: Malu Pinheiro
Cachoeira de Iracema, em Presidente Figueiredo — Foto: Malu Pinheiro

As trilhas, em geral, são de nível fácil a moderado, mas exigem calçado fechado, roupa leve, repelente e disposição para caminhar em terreno úmido. É o tipo de experiência que mostra outra face da região: menos urbana, mais geológica e totalmente imersa na floresta.

Hospitalidade com o sabor da Amazônia

Para a experiência ficar completa, a escolha da hospedagem faz diferença — e, em Manaus, ela pode ser parte ativa da viagem. O Juma Ópera, hotel boutique em frente ao Teatro Amazonas, fica o coração do centro histórico.

Piscina do Juma Ópera — Foto: Malu Pinheiro
Piscina do Juma Ópera — Foto: Malu Pinheiro

A localização facilita fazer muita coisa a pé e mantém a cidade pulsando ao redor: abrir a janela e dar de cara com a cúpula do teatro não é detalhe — é contexto. A estrutura combina conforto contemporâneo com referência à arquitetura local, além de spa e restaurante próprio, o que ajuda a equilibrar dias longos de passeio.

Na mesa, Manaus também se revela. Entre os restaurantes, vale entrar no roteiro:

  • Banzeiro, referência quando o assunto é cozinha amazônica com técnica e produto local;
  • Caxiri, que trabalha ingredientes regionais em releituras criativas;
  • Fitz Carraldo, no hotel Villa Amazônia, boa pedida para almoço no centro;
  • Restaurante Ópera, dentro do próprio hotel, prático e consistente para o jantar.

Viajar para Manaus é entender que a Amazônia não é só cenário: é sistema vivo, cultura e cidade. O reconhecimento internacional ajuda a colocar o destino no mapa – mas é a experiência no território que sustenta o interesse. Não é hype. É lugar. E quanto antes entrar no seu radar, melhor.

Fonte: Glamour

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