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07/03/2026

Moraes anula sindicância do CFM sobre Bolsonaro: ‘Total ignorância’

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O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), anulou a sindicância aberta pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) para apurar suposta falta de assistência médica ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após ele sofrer uma queda.

O que aconteceu

Moraes afirmou que há “ilegalidade e ausência de competência” do CFM em relação à Polícia Federal. “Demonstrando claramente o desvio de finalidade da determinação, além da total ignorância dos fatos.”

Não houve qualquer omissão ou inércia da equipe médica da Polícia Federal, disse Moraes. Segundo o ministro, a atuação da equipe foi corroborada pelos exames médicos realizados hoje no Hospital DF Star, que “não apontaram nenhum problema ou sequela em relação ao ocorrido na madrugada do dia anterior”.

Ministro determinou que o presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, preste depoimento à Polícia Federal em até dez dias. “Para que explique a conduta ilegal do CFM e para que se apure eventual responsabilidade criminal”, decidiu. Além disso, o Hospital DF Star deverá encaminhar os exames médicos e laudos referentes a Bolsonaro em até 24 horas.

CFM havia determinado que o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal apurasse os fatos. O órgão federal disse ter recebido denúncias formais que “expressam inquietação quanto à garantia de assistência médica adequada” a Bolsonaro. “Além disso, declarações públicas de relatos sobre intercorrências clínicas causam extrema preocupação à sociedade brasileira”, disse em nota.

Saúde do ex-presidente demanda monitoramento contínuo e imediato, diz o conselho. O CFM afirmou que “deve ser assegurada assistência médica com múltiplas especialidades pelo estado brasileiro, inclusive em situações de urgência e emergência.”

Presidente do CFM é apoiador de Bolsonaro. Em 2018, José Hiran da Silva Gallo publicou um artigo comemorando a vitória de Bolsonaro na eleição, intitulado “a esperança venceu o medo”. O texto foi divulgado no site do Conselho Regional de Medicina de Rondônia, onde ele ocupava o cargo de diretor-tesoureiro na época.

Gallo também defendeu o então presidente na pandemia de covid-19. “Pessoalmente, entendo ser um equívoco atribuir ao presidente Jair Bolsonaro a culpa absoluta por essa catástrofe. Se ele cometeu deslizes na comunicação dessa crise, por outro lado, não se pode ignorar que seu Governo se desdobrou para aumentar a oferta de leitos de internação e de UTI”, declarou.

Bolsonaro tentou caminhar e caiu, dizem médicos

O cardiologista Brasil Caiado, um dos médicos de Bolsonaro, afirmou a jornalistas que ele tentou caminhar e caiu. “Não foi apenas uma queda da cama […] Como ele estava sozinho e não presenciamos a queda, tentando reconstituir a cena com ele, foi que eu deduzi que houve este levantamento, ele caminhou e na queda bateu a cabeça e o pé em um objeto dentro do quarto. Por que é diferente? Uma simples queda da cama é uma coisa. Você se levantar, caminhar e cair é outra coisa.”

Tontura, desequilíbrio e oscilação da memória de Bolsonaro “chamam atenção”, disse Caiado. “O que me chama atenção desde ontem ou há dois ou três dias são esses quadros: tontura, desequilíbrio e oscilação da memória. Penso, neste momento, que temos que fazer um acompanhamento juntos, compartilhado.”

Há uma suspeita de que a queda possa ter sido causada pela interação e dosagem dos remédios, explica Caiado. Segundo ele, será necessário avaliar se tirar os medicamentos colocaria Bolsonaro em uma condição “degradante” de soluços —o ex-presidente está tomando novas medicações após os procedimentos médicos realizados no fim do ano.

Caiado confirmou que os exames feitos no ex-presidente apontaram uma lesão que caracterizam traumatismo craniano leve. “Em relação aos exames feitos hoje, observamos uma lesão em partes moles da região temporal direita e da região frontal direita, caracterizando um traumatismo craniano leve”, disse. Ontem, o médico Claudio Birolini apontou que Bolsonaro teve um “traumatismo cranioencefálico leve”.

Moraes autorizou hoje a ida de Bolsonaro ao hospital. Ele sofreu uma queda ontem e bateu a cabeça, na Superintendência da Polícia Federal. O relatório da PF encaminhado ontem a Moraes afirmou que o ex-presidente estava orientado e sem sinais de déficit neurológico.

Fonte: UOL

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