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07/03/2026

Manaus lidera crescimento de áreas de favelas entre capitais brasileiras, aponta levantamento

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A cidade de Manaus aparece no topo de um ranking nacional sobre expansão de áreas de favelas. Um levantamento recente da organização MapBiomas revelou que a capital amazonense é a cidade brasileira onde esse tipo de ocupação urbana mais cresceu nas últimas décadas, indicando um avanço significativo das comunidades urbanas desde a década de 1980.

De acordo com o estudo, a extensão territorial ocupada por favelas na capital do Amazonas aumentou cerca de 2,6 vezes entre 1985 e 2024, colocando Manaus na liderança entre todas as capitais brasileiras analisadas. Os dados fazem parte de um monitoramento que avalia a expansão da urbanização dentro de territórios classificados como favelas ou comunidades urbanas, conforme critérios utilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Expansão urbana e aumento das comunidades

O levantamento mostra que o fenômeno não é recente, mas vem se intensificando ao longo das últimas quatro décadas. Atualmente, mais de um terço de toda a área urbanizada de Manaus está dentro de territórios considerados favelas ou comunidades urbanas, o que demonstra o impacto do crescimento populacional e das ocupações irregulares no desenvolvimento da cidade.

Quando se observa a Região Metropolitana da capital amazonense, o cenário torna-se ainda mais expressivo. A área ocupada por favelas soma aproximadamente 11,4 mil hectares, número que coloca a região como a segunda maior do Brasil nesse tipo de ocupação, ficando atrás apenas da Região Metropolitana de São Paulo.

O crescimento dessas áreas também aparece nos dados populacionais. Informações do censo realizado pelo IBGE em 2022 apontam uma forte concentração de moradores nesses territórios. Segundo estimativas do estudo, cerca de 55,8% da população de Manaus vive em favelas ou comunidades urbanas, evidenciando o peso dessas regiões na dinâmica social e urbana da capital.

No âmbito estadual, o Amazonas possui 398 favelas identificadas, sendo que aproximadamente 60% delas estão localizadas na capital, o que reforça a centralização do crescimento urbano irregular em Manaus.

Fatores que explicam o crescimento

Especialistas apontam que diversos fatores contribuem para a expansão dessas áreas. Entre eles estão o crescimento populacional acelerado, a migração de pessoas de outras regiões do país e também a chegada de moradores vindos de países vizinhos.

Segundo análises de urbanistas, esse aumento demográfico acabou impulsionando o surgimento de assentamentos informais e ocupações sem planejamento urbano adequado, muitas vezes em áreas que não possuem infraestrutura básica ou condições ideais de moradia.

Além disso, a expansão rápida da cidade dificulta o planejamento urbano, principalmente no que se refere à abertura de vias, divisão adequada de lotes e instalação de serviços essenciais, como rede de esgoto, abastecimento de água e drenagem. Esse cenário pode resultar em problemas estruturais, ambientais e sociais que afetam diretamente a qualidade de vida dos moradores.

Fenômeno nacional, mas concentrado em regiões metropolitanas

O estudo do MapBiomas também revela que o crescimento de favelas é um fenômeno presente em todo o Brasil, mas com forte concentração nas grandes regiões metropolitanas. Em 2024, cerca de 82% das áreas urbanizadas em favelas estavam dentro dessas regiões, mostrando a ligação direta entre crescimento populacional urbano e expansão de assentamentos informais.

Em escala nacional, as áreas urbanizadas em favelas passaram de 53,7 mil hectares em 1985 para 146 mil hectares em 2024, um aumento superior a 2,7 vezes no período analisado. O ritmo de crescimento é inclusive maior do que a expansão geral das áreas urbanas brasileiras.

Desafios para o futuro da capital amazonense

O avanço das comunidades urbanas representa um dos principais desafios para o planejamento urbano de Manaus nas próximas décadas. Especialistas alertam que a expansão desordenada pode ampliar problemas estruturais, como moradias em áreas de risco, falta de infraestrutura e dificuldades no acesso a serviços públicos essenciais.

Diante desse cenário, urbanistas e gestores públicos defendem a necessidade de políticas habitacionais mais robustas, regularização fundiária e planejamento urbano integrado, capazes de garantir moradia digna e infraestrutura adequada para a população.

O levantamento reforça que compreender a evolução dessas áreas é fundamental para orientar políticas públicas e promover um crescimento urbano mais equilibrado na capital do Amazonas.

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