Uma chuva de proporções históricas atingiu Manaus nesta quarta-feira (25) e se estendeu pela madrugada de quinta (26), acumulando 160 milímetros de precipitação — volume que representa quase a metade do esperado para todo o mês de março. O temporal, classificado pela Defesa Civil como o maior registrado na capital nos últimos seis anos, resultou em 114 ocorrências e mobilizou uma operação integrada coordenada pelo prefeito David Almeida.

O epicentro do temporal foi a Zona Norte, onde o bairro Santa Etelvina registrou o índice isolado de 161,8 mm. A intensidade das águas sobrecarregou o sistema de drenagem e causou o transbordamento de igarapés, afetando diretamente a mobilidade e a segurança de moradores em áreas de risco.
Raio-X das Ocorrências
De acordo com o balanço consolidado da Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil Municipal (Sepdec), as 114 chamadas via Disque 199 foram distribuídas da seguinte forma:
- Alagamentos: 59 registros (maior incidência);
- Deslizamentos de barranco: 24 casos;
- Desabamentos de muros e casas: 13 ocorrências;
- Outros: Erosões, bueiros entupidos e vistorias preventivas.

Um dos episódios mais impressionantes ocorreu no Rio Negro, onde um redemoinho (tromba d’água) se formou durante a ventania, atingindo e destruindo parte da estrutura de uma embarcação que estava atracada no Porto do São Raimundo, na Zona Oeste.
Atendimento às Famílias e Abrigos
A força-tarefa, que envolve secretarias como Seminf (Infraestrutura), Semasc (Assistência Social) e Semed (Educação), confirmou que cerca de 150 pessoas ficaram desalojadas ou desabrigadas. As comunidades mais atingidas foram União da Vitória (Zona Oeste) e Santa Marta (Zona Norte).
Para garantir o acolhimento, a prefeitura ativou escolas municipais como abrigos temporários. Famílias afetadas estão recebendo cestas básicas, colchões e kits de higiene, além de serem cadastradas para o programa de Auxílio-Aluguel.
“Nossas equipes estão nas ruas desde o primeiro momento. O solo está saturado, então o monitoramento é constante para evitar tragédias em áreas de encosta”, destacou o tenente-coronel Lima Júnior, secretário da Defesa Civil.
Previsão e Recomendações
Embora a intensidade da chuva tenha diminuído nesta quinta-feira (26), o estado de alerta permanece. O Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) segue monitorando pontos críticos de alagamento em avenidas como a Constantino Nery e a Torquato Tapajós.
A orientação para quem vive em áreas de encosta é que, ao notar rachaduras em paredes ou estalos no terreno, deixe o imóvel imediatamente e acione a Defesa Civil pelo número 199.






