26.3 C
Manaus
08/03/2026

Manaus é a terceira capital mais violenta do Brasil, segundo Atlas da Violência

Últimas

Manaus está entre as capitais com as maiores taxas de homicídio do país, ocupando a terceira posição no ranking nacional, de acordo com dados do Atlas da Violência dos Municípios 2024, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A capital amazonense registrou uma taxa de 55,7 mortes por 100 mil habitantes em 2022, ficando atrás apenas de Salvador (BA) e Macapá (AP).

O levantamento considera informações do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, além de dados populacionais do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Pontos da pesquisa

Dados do ranking – Foto: Ranking dos Políticos – Redes Sociais

O estudo inclui mortes por agressão, intervenções policiais, operações de guerra e também os chamados “homicídios ocultos”, quando não há definição precisa da causa violenta.

Pesquisadores do Ipea apontam que a expansão de facções criminosas e as rotas do tráfico de drogas são fatores que ajudam a explicar o aumento das mortes violentas nos estados da Região Norte.

A posição geográfica estratégica e as áreas de fronteira são citadas como elementos que influenciam diretamente a dinâmica da criminalidade nessas localidades.

Gargalos operacionais

Amadeu Soares
Amadeu Soares – Foto: Arquivo Pessoal

Para o ex-secretário de Segurança Pública do Amazonas, coronel Amadeu Soares, os principais gargalos operacionais das forças policiais no estado estão relacionados à perda de efetivo, à fragilidade do planejamento estratégico e ao enfraquecimento da integração entre os órgãos.

Segundo o especialista, a falta de policiais impacta diretamente as escalas de serviço, o patrulhamento preventivo, a cobertura de áreas sensíveis e o tempo de resposta às ocorrências, reduzindo a capacidade de dissuasão imediata. Em relação à Polícia Civil, ele destaca a deficiência de pessoal, que compromete tanto o atendimento básico quanto as investigações mais complexas.

Enfraquecimento

Outro ponto destacado pelo especialista foi o enfraquecimento da integração entre as forças de segurança, como policiais, setores de inteligência e órgãos de apoio.

De acordo com Amadeu Soares, a atuação conjunta permite o cruzamento de dados, operações coordenadas e ações simultâneas. Já a falta de interação gera respostas fragmentadas. “Quando isso não acontece, vemos o contrário: ausência de resposta imediata, avanço das facções e aumento da sensação de insegurança”, pontuou.

Baixa capacidade investigativa

Vlais Monteiro – Foto: Arquivo Pessoal

Para Vlais Monteiro, mestre em Segurança Pública, Cidadania e Direitos Humanos, o Atlas da Violência aponta que, em várias capitais amazônicas, há homicídios ocultos – mortes violentas que não são registradas oficialmente como homicídios.

Segundo a especialista, esse cenário dificulta o planejamento de políticas públicas baseadas em dados confiáveis. Ela ressalta que as soluções precisam ser estruturais, com cooperação interestadual e internacional, considerando o papel estratégico das rotas do tráfico.

Domínio territorial

De acordo com a especialista, o domínio territorial e a disputa por rotas estratégicas de entrada e saída de drogas intensificam confrontos armados, elevando os índices de homicídio.

Segundo Vlais Monteiro, em 2025, facções criminosas estavam presentes em 45% dos municípios da Amazônia Legal (344 cidades), um aumento de 32% em relação a 2024. Além do tráfico de drogas, esses grupos também controlam atividades como o garimpo ilegal, ampliando sua influência e capacidade de financiar a violência.

Atlas da Violência

Atlas da Violência é uma das principais ferramentas para o diagnóstico da criminalidade no Brasil, permitindo a avaliação de indicadores em todas as regiões do país.

A publicação analisa principalmente os indicadores de violência letal, a partir de dados do Ministério da Saúde (Datasus) e das Polícias Civis, traçando o perfil das vítimas e a distribuição geográfica dos crimes.

Fonte: Portal Rios

spot_imgspot_img
spot_img

Outras notícias

Conteúdo relacionado