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07/03/2026

Lula já trata Pacheco como candidato ao governo de Minas, e senador negocia trocar PSD pelo MDB

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a afirmar a aliados, em conversas reservadas nas últimas semanas, que o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) será seu candidato ao governo de Minas Gerais em 2026, tratando o cenário como praticamente definido dentro do Palácio do Planalto. A posição, contudo, não tem sido tratada da mesma forma pelo parlamentar e seus aliados em Minas, que sustentam ainda não haver uma decisão formal sobre a candidatura e descrevem o tabuleiro estadual como “em construção”, onde o MDB já mantém o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo como pré-candidato ao governo.

Interlocutores do Planalto ouvidos pela reportagem afirmam que o presidente passou a apresentar Pacheco a aliados como a solução política para Minas Gerais, tratando sua candidatura como o caminho mais provável para unificar o campo governista e estruturar um palanque competitivo contra o grupo do governador Romeu Zema (Novo) e o bolsonarismo no estado. Segundo o colunista Lauro Jardim, do GLOBO, para Lula, o senador já deu o seu “o.k.” para o plano. Procurado, o senador não comentou.

Aliados de Pacheco, contudo, afirmam que o senador mantém negociações políticas sem assumir compromisso eleitoral. Parte desse movimento envolve tratativas para uma possível filiação ao MDB. A migração, entretanto, depende de acertos políticos previstos para ocorrer nas próximas semanas, após o retorno de Lula da viagem à Ásia.

O União Brasil chegou a ser cogitado como alternativa partidária, mas perdeu força diante de entraves envolvendo a federação com o PP e de resistências internas. O PP tem hoje como principal liderança em Minas o secretário de Governo da gestão Zema, Marcelo Aro, o que reduziu o espaço político para a movimentação de Pacheco.

No MDB, contudo, as conversas com Pacheco são para que ele leve seu grupo político para a sigla, mas sem necessariamente vincular a uma candidatura ao governo estadual. Interlocutores afirmam que o senador tem repetido a dirigentes do partido que não pretende disputar cargo eletivo neste momento, mantendo a hipótese de candidatura mais como instrumento de articulação política enquanto reorganiza seu campo de alianças no estado.

Segundo os relatos, ele conversou ao menos três vezes com aliados e dirigentes partidários antes do carnaval, reforçando o interesse em ingressar na legenda.

Participam das conversas o presidente estadual do MDB, Newton Cardoso Júnior, o deputado estadual João Magalhães e o próprio Gabriel Azevedo, pré-candidato da legenda ao governo mineiro, que tem atuado diretamente como interlocutor do senador junto à direção partidária. A expectativa é de que novas reuniões presenciais ocorram em Brasília nas próximas semanas para avançar no desenho político.

— Em Minas temos o Gabriel Azevedo como pré-candidato a governador. Até agora não houve conversas com ele nem com o presidente estadual Newton Cardoso sobre qualquer mudança nesse cenário — afirmou o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi.

Nesse desenho feito por integrantes do MDB, Pacheco ingressaria na sigla declarando apoio ao nome de Gabriel Azevedo ao Palácio Tiradentes. O ex-vereador tenta construir uma candidatura de frente ampla contra o vice-governador Mateus Simões (PSD), aliado de Zema, e o bolsonarismo. Azevedo, contudo, resiste à vinculação direta ao presidente Lula — fator visto como obstáculo pelo Palácio do Planalto.

A negociação envolveria a possibilidade de chegada conjunta de aliados e parlamentares próximos, entre eles os deputados federais Igor Timo (PSD-MG) e Luís Fernando Faria (PSD-MG), além de outras lideranças regionais.

Kalil resiste

Em um cenário em que Pacheco fosse candidato, o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT) poderia atrapalhar seu desempenho por compartilharem o mesmo eleitorado. No entorno de Kalil, a avaliação é de que não há espaço para interpretações de recuo político. Aliados afirmam que ele mantém a pré-candidatura ao governo e negam qualquer negociação para disputar o Senado em composição com a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT).

Kalil considera que abrir mão da disputa neste momento não faria sentido diante de seu desempenho nas pesquisas e da disposição de seu partido em sustentar a candidatura.

— Sou candidato pelo PDT ao governo de Minas. O PT que se resolva — afirmou.

No PDT, contudo, há dirigentes que defendem a hipótese de candidatura de Kalil à Câmara dos Deputados como estratégia para ampliar a bancada federal da sigla em Minas Gerais. A possibilidade é rejeitada, por ora, pelo entorno do ex-prefeito, que afirma não haver discussão interna sobre mudança de plano eleitoral.

Fonte: Globo

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