O Google está sendo investigado pelas autoridades antitruste da União Europeia por suspeitas de que estaria rebaixando injustamente alguns resultados de notícias — uma apuração que pode aumentar sua conta de multas na UE, que já soma € 9,5 bilhões (US$ 11 bilhões), e agravar as tensas relações com o governo Trump.
A Comissão Europeia, órgão executivo da UE, afirmou nesta quinta-feira que suspeita de que a unidade da Alphabet possa estar violando a Lei dos Mercados Digitais do bloco europeu ao empurrar para baixo os resultados de sites de veículos de comunicação quando estes incluem conteúdo de parceiros comerciais.
“Vamos investigar para garantir que os editores de notícias não estejam perdendo receitas importantes em um momento difícil para o setor”, declarou a comissária europeia de Concorrência, Teresa Ribera, em comunicado.
Sob o pretexto de sua “política de abuso de reputação de sites”, a Comissão disse que o Google parece “impactar diretamente uma forma comum e legítima de os editores monetizarem seus sites e conteúdos”.
O braço antitruste da UE pretende concluir a investigação em até 12 meses, o que pode abrir caminho para multas de até 10% das vendas globais anuais da companhia caso sejam constatadas irregularidades e não sejam feitas correções.
Em uma postagem no blog da empresa, o cientista-chefe do Google Search, Pandu Nayak, afirmou que a investigação da UE sobre o que o Google classifica como esforços contra spam é “totalmente equivocada e coloca em risco milhões de usuários europeus”.
A companhia argumenta que sua política é necessária para evitar que materiais pagos de terceiros hospedados em sites de editores apareçam mais bem posicionados nos resultados de busca do que merecem.
A nova investigação ocorre logo após uma multa de quase € 3 bilhões (o equivalente a US$ 3,5 bilhões ou R$ 18 bilhões) aplicada em setembro contra o Google, por supostamente favorecer seus próprios serviços de tecnologia de publicidade em detrimento de concorrentes — penalidade que provocou a ira do presidente dos EUA, Donald Trump, que classificou a multa como “discriminatória”.
Fonte: O Globo






