Gasolina no Amazonas atinge R$ 7,02 após privatização da refinaria de Manaus

0
Imagem: Impact Photography/shutterstock.com

O preço da gasolina no Amazonas acumula alta de 52,6% desde a privatização da Refinaria de Manaus (Ream), em 2022, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgados pela subseção da Federação Única dos Petroleiros (FUP). O levantamento, obtido pelo Brasil 247, mostra que o litro do combustível custava R$ 4,60 em dezembro de 2022 e chegou a R$ 7,02 em agosto de 2025.

Um boletim do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo e Gás (Ineep), publicado nesta segunda-feira (15), reforça que a Região Norte registrou o maior preço médio do país em agosto, R$ 6,19 por litro, puxado principalmente por Amazonas e Acre. A média nacional foi a mesma, R$ 6,19, mas no Sudeste o valor médio foi menor, R$ 6,05.

Ream virou apenas base logística

Antes da venda, a refinaria processava mais de 900 mil barris de petróleo por mês. Em 2025, no entanto, operou apenas nos meses de março (296 mil barris) e abril (114 mil barris), volumes considerados irrisórios. Hoje, sob controle do grupo Atem, a unidade funciona basicamente como terminal de armazenamento, deixando de refinar o petróleo produzido em Urucu (AM).

“Essa mudança limitou sua operação e transferiu a atividade para São Paulo, encarecendo ainda mais o preço final para os consumidores amazonenses, que já estão entre os que mais pagam pela gasolina e pelo gás de cozinha no país”, afirmou Deyvid Bacelar, coordenador-geral da FUP.

Impacto econômico e social

A redução da capacidade de refino na Ream não afeta apenas o preço da gasolina. Os efeitos são amplos e incluem:

  • aumento do custo logístico para transporte de derivados
  • dependência de refinarias em outras regiões
  • perda de empregos qualificados
  • diminuição da arrecadação estadual
  • precarização do trabalho no setor de petróleo

Segundo especialistas, a privatização transformou a refinaria em um terminal de estocagem, enfraquecendo a economia local e limitando a soberania energética do Amazonas.

Documento entregue ao presidente Lula

A FUP e o Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (Sindipetro-AM) encaminharam ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um documento denunciando os efeitos da privatização da Ream e sugerindo alternativas para recuperar o refino no estado. O texto, elaborado a partir de estudo do Ineep, aponta que a privatização provocou:

  • queda abrupta na atividade de refino
  • maior dependência da importação de derivados
  • preços considerados abusivos para a população
  • demissões em massa e precarização do trabalho
  • perdas bilionárias na arrecadação estadual
  • risco de transformar a unidade em mero terminal de estocagem
Reações de especialistas

Analistas econômicos destacam que a privatização da Ream evidencia uma tendência de centralização do refino no Sudeste, o que eleva os custos para regiões mais distantes como o Amazonas. Para Bacelar, “a transferência da atividade de refino para São Paulo significa repassar o ônus logístico e financeiro para os consumidores locais, já sobrecarregados”.

Medidas sugeridas ao governo

As entidades propõem duas possíveis saídas: reverter a privatização, reincorporando a refinaria à Petrobrás, ou estabelecer uma parceria com o grupo Atem para que o petróleo de Urucu volte a ser processado em Manaus.

“Essas ações visam reduzir custos logísticos, reativar empregos qualificados, fortalecer a economia regional e garantir preços mais justos para a população”, reforçou Bacelar.

Estratégia nacional de energia

O documento ainda defende a inclusão do Amazonas na estratégia nacional de energia, com a Petrobrás retomando papel central no setor de refino e contribuindo para o desenvolvimento econômico e social do país. A proposta inclui:

  • retomada do refino local do petróleo de Urucu
  • investimentos em tecnologia e capacitação profissional
  • fortalecimento da arrecadação estadual e federal
  • políticas de preços mais equilibrados para combustíveis

Segundo especialistas do Ineep, essas medidas são essenciais para assegurar segurança energética e justiça econômica no Norte do Brasil.

Comparação com outras regiões

O boletim do Ineep mostra que, embora a média nacional do preço da gasolina seja de R$ 6,19, o Sudeste registra valores inferiores (R$ 6,05), evidenciando desigualdade regional. Amazonas e Acre lideram os preços mais altos, resultado direto da logística e da redução da atividade de refino local.

Consequências para o consumidor

O aumento de 52,6% no preço da gasolina impacta diretamente o bolso do consumidor amazonense, além de refletir em:

  • aumento do preço do transporte público
  • elevação do custo de produtos e serviços
  • redução do poder de compra da população
  • agravamento da inflação regional

Especialistas alertam que sem a retomada do refino, a situação tende a se agravar, mantendo o Amazonas entre os estados com os combustíveis mais caros do país.

Caminhos para o futuro

Imagem: EyeEm/ Freepik

A reativação da Ream como refinaria plena ou uma parceria estratégica com o grupo Atem pode trazer múltiplos benefícios:

  • redução do preço da gasolina e do gás de cozinha
  • geração de empregos diretos e indiretos
  • fortalecimento da economia regional
  • menor dependência de importação de derivados
Importância da intervenção estatal

O caso da Ream evidencia a necessidade de políticas públicas para garantir soberania energética e justiça social. A intervenção estatal pode equilibrar mercado, empregos e preços, promovendo desenvolvimento sustentável no Amazonas.

Conclusão

A privatização da Refinaria de Manaus (Ream) impactou diretamente o preço da gasolina no Amazonas, gerando alta de 52,6% e efeitos negativos para a economia e a população local. A transformação da unidade em terminal de armazenamento e a centralização do refino em outras regiões aumentaram custos e precarizaram empregos. Medidas como a reversão da privatização ou parcerias estratégicas com o grupo Atem podem restabelecer a atividade de refino, reduzir preços e fortalecer a economia regional, garantindo mais justiça social e segurança energética para o Amazonas.

Fonte: Seu Crédito Digital