No último sábado (21), um crime chocante foi registrado no município de Ivaí, na região dos Campos Gerais do Paraná. A irmã Nadia Gavanski, religiosa de 82 anos, foi brutalmente assassinada dentro do Convento das Irmãs Servas de Maria Imaculada, onde vivia há décadas, em um episódio que assustou a população local e provocou comoção em todo o Brasil.
O crime e a invasão ao convento
De acordo com informações oficiais da Polícia Militar do Paraná e da Polícia Civil do Paraná, a freira foi encontrada já sem vida no interior do convento, localizada caída no pátio com sinais evidentes de agressão física e com parte das roupas parcialmente retiradas, indicando que houve extrema violência durante o ataque.
Testemunhas afirmaram que um homem, ainda não identificado na divulgação oficial, teria invadido o muro da instituição religiosa e atacado a freira. A suspeita inicial levantada pelas autoridades é que ele tenha entrado no local com a intenção de cometer furto, mas a confrontação com a religiosa terminou em um ataque fatal.
Prisāo do suspeito e depoimentos
Equipes da Polícia Militar reagiram rapidamente após o crime ser comunicado e conseguiram detê-lo em flagrante enquanto ele tentava fugir do local. O homem tem 33 anos e apresentou nervosismo, roupas com manchas de sangue e sinais de envolvimento direto com o crime.

Segundo depoimento à polícia, o suspeito teria dito que ouviu “vozes” ordenando que cometesse um homicídio, além de mencionar ter consumido bebidas alcoólicas e drogas na madrugada que antecedeu o ataque. Essa versão está sendo investigada pelas autoridades para estabelecer a real motivação e circunstâncias do crime.
A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar a dinâmica dos fatos, ouvir testemunhas, realizar perícias e identificar todas as circunstâncias que envolveram a invasão e o assassinato da religiosa.
Quem foi a irmã Nadia Gavanski
A vítima, conhecida como Ir. Nadia Gavanski, dedicou mais de 55 anos de sua vida à vida religiosa e à obra da Congregação das Irmãs Servas de Maria Imaculada.

Nascida em Prudentópolis (PR), a religiosa entrou para a congregação no começo da década de 1970 e passou décadas vivendo uma rotina marcada por oração, serviço comunitário, atividades manuais e assistência aos mais necessitados. Ao longo de sua trajetória, irmã Nadia atuou em diversas comunidades católicas do interior paranaense, incluindo locais como Dorizon, Irati, São Pedro, Marcondes e outros municípios.
Ela era conhecida por sua simplicidade, alegria no olhar, fraternidade e dedicação ao trabalho pastoral e às rotinas diárias do convento. Mesmo após um AVC que comprometeu parte da sua fala, a religiosa continuou atuante e presente nas atividades da congregação, sempre com serenidade e disposição.
Repercussões, despedida e manifestações
O crime violento provocou forte comoção entre os moradores de Ivaí e regiões vizinhas, assim como entre membros da comunidade católica e autoridades locais. A Congregação das Irmãs Servas de Maria Imaculada emitiu uma nota oficial lamentando a morte de irmã Nadia, classificando o caso como um “ato de violência injustificável” e pedindo orações pela alma da religiosa.

O velório e a cerimônia de despedida ocorreram no dia 22 de fevereiro na cidade de Prudentópolis, onde a irmã Nadia vivia grande parte de sua vida religiosa e onde sua presença era reverenciada por fiéis e membros da comunidade.
Além disso, o caso também motivou declarações públicas de autoridades políticas. O governador do Paraná, Ratinho Júnior, utilizou suas redes sociais para criticar a legislação penal brasileira diante da violência, destacando que o suspeito havia saído do sistema prisional recentemente e defendendo medidas mais rigorosas de segurança pública.
Investigação e próximos passos
As investigações seguem agora com foco em esclarecer os motivos, a dinâmica completa do ataque, a possível participação de terceiros e o estado mental do suspeito no momento do crime. O homem foi autuado por homicídio qualificado e resistência à prisão e permanece sob custódia das autoridades competentes enquanto o caso segue em apuração.
A tragédia reacende o debate sobre a segurança em instituições religiosas, especialmente aquelas localizadas em áreas rurais ou interioranas, bem como a necessidade de atenção às questões envolvendo violência e saúde mental no Brasil.






