O árbitro paulista Matheus Delgado Candançan, de 27 anos, esteve no centro de duas polêmicas nos jogos que apitou ao longo dos cinco últimos dias.
Críticas
O primeiro caso aconteceu no jogo entre Velo Clube e Bragantino, pelo Paulistão, no último domingo. Durante o empate por 1 a 1, o árbitro expulsou o lateral Ynaiã, do Velo, após uma entrada dura. O jogador xingou o juiz em campo e precisou ser contido.
Ynaiã chamou Candançan de “folgado”. Nas redes sociais, o jogador se manifestou, disse entender a expulsão, mas condenou atitudes que considerou “antiprofissionais” do árbitro.
Durante toda a partida, porém, houve provocações constantes por parte do árbitro: comentários repetidos de que ‘iria me colocar para fora’, insinuações de que já me conhecia, atitudes que considerei antiprofissionais para quem deveria conduzir o jogo com equilíbrio. Reforço que não foi a primeira vez que isso ocorreu. No ano passado, quando atuei por outro clube, esse mesmo árbitro teve postura semelhante comigo […] Naquele momento, me senti perseguido e reagi de forma errada, chamando o árbitro de “folgado” justamente pela forma provocativa com que fui tratado.
– Ynaiã, no Instagram
A polêmica mais recente veio ontem. Candançan foi o árbitro do empate entre Atlético-MG e Remo por 3 a 3, pelo Brasileirão, na Arena MRV. Após a partida, o time paraense publicou uma nota nas redes sociais, reclamou de três lances e afirmou que vai tomar as medidas cabíveis. Rodrigo Guarizo, VAR da partida, também foi citado.
A primeira bronca foi pelo gol anulado de Leonel Picco. O argentino foi às redes já no segundo tempo, mas o gol foi anulado após Candançan ir ao VAR e julgar que um toque da bola no braço de João Pedro durante a jogada teria sido faltoso. O clube ainda reclamou da não expulsão de Everson no terceiro tento remista, uma vez que o goleiro teria atingido Patrick de Paula e atrapalhado uma chance clara de gol. Um possível impedimento no último gol do Galo também foi citado.
Candançan ganhou espaço nos últimos anos e ostenta o escudo da Fifa. O árbitro é um dos que fazem parte da lista de selecionados para o projeto de profissionalização da arbitragem promovido pela CBF.
O UOL procurou a CBF para um possível posicionamento de Candançan sobre as acusações e reclamações. A matéria será atualizada caso haja resposta.
Nota do Remo
“O Clube do Remo, por meio de sua diretoria jurídica, vem a público manifestar profunda preocupação e inconformismo diante dos graves equívocos de arbitragem dos senhores Matheus Delgado Candançan (SP) e Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral (SP) ocorridos na partida contra o Atlético Mineiro.
Ao longo do confronto, decisões determinantes impactaram diretamente o resultado do jogo e prejudicaram de forma evidente a equipe azulina.
Destacamos pontos importantes:
- Gol legítimo do Remo indevidamente anulado, sem justificativa técnica consistente, comprometendo o equilíbrio da partida, principalmente quando o árbitro estava próximo ao lance e nada marcou.
- Gol final do Atlético Mineiro em posição clara de impedimento, não assinalado pela arbitragem de campo nem corrigido pelo VAR, apesar das evidências em que as linhas estão traçadas de maneira equivocada.
- No terceiro gol do Remo, lance com evidente infração do goleiro adversário, que, ao impedir oportunidade clara de gol fora das regras, deveria ter sido punido com cartão vermelho, conforme determinam as regras.
O Clube do Remo respeita as instituições, a arbitragem e a competição. No entanto, não pode se calar diante de erros sucessivos e determinantes que comprometeram o resultado da partida e prejudicaram sua torcida, seus atletas e todo o trabalho desenvolvido.
O futebol brasileiro exige profissionalismo, responsabilidade e critérios técnicos uniformes. O uso do VAR existe justamente para evitar que equívocos dessa magnitude ocorram.
Diante dos fatos, o Clube do Remo adotará as medidas cabíveis junto às instâncias competentes, solicitando a análise formal dos lances e providências necessárias para que situações como esta não se repitam.
Seguimos firmes, lutando dentro e fora de campo, com respeito, mas também com a contundência que a história e a grandeza do Remo exigem.”
Fonte: UOL






