A proibição das casas de apostas no Brasil pode provocar mudanças importantes nas receitas do futebol brasileiro, especialmente nos contratos de patrocínio mantidos por clubes e competições.
A Medida Provisória anunciada pelo governo federal em 25 de setembro determina o fim da operação das bets e estabelece prazo para a retirada de publicidade e sinais de patrocínio dessas empresas.
14 clubes da Série A têm bets como patrocinadoras principais
Segundo levantamento citado pela Rede Onda Digital, 14 dos 20 clubes da Série A possuem casas de apostas como patrocinadoras principais em 2026.
Dados da Sports Value apontam que os principais clubes brasileiros movimentaram cerca de R$ 3,2 bilhões em receitas de marketing em 2025. Desse total, aproximadamente R$ 1,1 bilhão, ou 34%, veio de empresas do setor de apostas.
Contratos chegam a centenas de milhões de reais
Entre os maiores acordos mencionados estão:
- Flamengo e Betano: aproximadamente R$ 268,5 milhões por ano;
- Corinthians e Esportes da Sorte: cerca de R$ 150 milhões;
- São Paulo e Superbet: aproximadamente R$ 113 milhões;
- Palmeiras e Sportingbet: cerca de R$ 100 milhões.
Outro levantamento, baseado nos contratos de patrocínio-máster da Série A, estima que os acordos com empresas de apostas somam aproximadamente R$ 910 milhões em 2026.
Impacto também pode chegar às competições
O setor de apostas não está presente apenas nas camisas dos clubes. Empresas do segmento também aparecem em naming rights de competições, publicidade em transmissões e placas nos estádios.
A retirada das marcas, portanto, pode exigir renegociação ou encerramento de contratos comerciais, dependendo das condições estabelecidas entre as empresas e as entidades esportivas.
Série B também possui forte presença das bets
Na Série B, o impacto também pode ser significativo. Dos 20 clubes da competição, 13 possuem algum vínculo comercial com empresas de apostas, sendo 11 com patrocínio principal, segundo o levantamento publicado pela Rede Onda Digital.
Clubes avaliam impacto financeiro
A possível perda dessa fonte de receita já provoca preocupação entre dirigentes. O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista (Bap), afirmou que o clube possui aproximadamente R$ 400 milhões em receitas direta ou indiretamente relacionadas às empresas de apostas, incluindo patrocínios e publicidade.
O Fluminense, por sua vez, informou que estima impacto superior a R$ 100 milhões com o fim das bets e que avalia medidas jurídicas relacionadas à medida.
Proibição ainda depende do Congresso
Embora a Medida Provisória já produza efeitos, sua continuidade depende da análise do Congresso Nacional.
A medida estabelece prazo até 5 de outubro, às 23h59, para a retirada de publicidades e sinais de patrocínio das empresas de apostas.






