O ex-vereador de Manaus Amauri Gomes se tornou alvo de um inquérito instaurado pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) após a ocorrência envolvendo a roda-gigante recém-inaugurada na Ponta Negra, na Zona Oeste, no último sábado (22). Segundo o 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), ele é investigado por falsa comunicação de crime e por expor a perigo a vida ou a saúde de outras pessoas.
Em nota enviada ao Portal AM1, a corporação informou que já foram ouvidas testemunhas presenciais, responsáveis pelo equipamento e representantes da Prefeitura de Manaus. De acordo com a PC-AM, as informações levantadas até o momento reforçam a necessidade de aprofundar as diligências para esclarecer a dinâmica do episódio que paralisou o equipamento por cerca de uma hora, deixando visitantes presos nas cabines até a chegada do Corpo de Bombeiros.
“O ex-vereador permanece na condição de investigado pelos crimes de falsa comunicação de crime e por expor a perigo a vida ou a saúde de outrem”, diz a nota da Polícia Civil.
Nesta segunda-feira (24), a Polícia Civil e a concessionária Amazonas Energia devem realizar perícias técnicas que irão confirmar ou descartar as versões apresentadas pelo ex-vereador. O inquérito será concluído dentro do prazo legal e poderá resultar em indiciamentos, conforme previsto na legislação.
“A Polícia Civil ressalta que, após a finalização das análises periciais e técnicas, adotará as providências cabíveis, incluindo os devidos indiciamentos, conforme previsto na legislação”, frisa a instituição.
Divergências
O caso ganhou proporções políticas após a troca de acusações entre o prefeito David Almeida (Avante) e o ex-vereador Amauri Gomes. Amauri esteve no local e gravou vídeos afirmando que havia uma suposta ligação elétrica “inadequada e clandestina” abastecendo a roda-gigante. Horas depois, com o equipamento já parado, o prefeito afirmou que o incidente seria resultado de um ato de “sabotagem” praticado por integrantes da equipe do ex-vereador.
David Almeida negou qualquer irregularidade elétrica no complexo e explicou que toda a Ponta Negra é abastecida por cinco subestações, cujas contas estão vinculadas ao Implurb, responsável pela administração da área. Segundo ele, os permissionários utilizam a energia já incluída nas taxas mensais pagas ao município.
“Na Ponta Negra não tem ligação clandestina. Todos os permissionários usam a energia fornecida pelas subestações. Abrir a caixa de energia, como foi mostrado no vídeo, já é crime”, afirmou o prefeito.
O chefe do Executivo municipal declarou ainda que há indícios de envolvimento de pessoas ligadas ao ex-vereador na interrupção da roda-gigante. Ele anunciou que tomará medidas judiciais contra os responsáveis, criticando a “busca por engajamento” nas redes sociais.
“Colocar em risco a vida de pessoas apenas para aparecer na internet é um absurdo. Vamos responsabilizar juridicamente ele e a equipe dele”, disse.
Ex-vereador rebate
Pelas redes sociais, Amauri Gomes negou qualquer participação em sabotagem. Ele afirmou que esteve no local acompanhado por um policial militar e um guarda civil, e que apenas denunciou uma suposta irregularidade elétrica. Também disse que pretende solicitar perícia no equipamento e registrou boletim de ocorrência contra a empresa responsável.
“Estávamos ali para alertar sobre um possível risco à população”, declarou. Ele ainda afirmou que o resgate ocorreu sem uso adequado de EPI.
Agora o caso é investigado pela Polícia Civil.






