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07/03/2026

Eduardo x Tarcísio: rixa chega à Alesp e causa insatisfação de ala do PL

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A relação conflituosa entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Eduardo Bolsonaro (PL) respingou na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo). Fontes ouvidas pela reportagem apontam que o governador de São Paulo articulou contra a indicação de um aliado do ex-deputado federal para liderança do PL na Casa. Procurado pelo UOL, Tarcísio negou.

O que aconteceu

Aliado de primeira hora de Eduardo, o deputado estadual Gil Diniz (PL-SP) buscava se tornar líder da bancada do PL. Conhecido como “Carteiro Reaça”, ele havia conseguido, junto aos colegas de partido, número suficiente de assinaturas para assumir o posto. Gil ocuparia o lugar de Carlos Cézar, que renunciou ao mandato no ano passado após virar conselheiro do TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo).

Tarcísio teria manifestado a deputados contrariedade com indicação de Diniz. Duas versões circulam nos bastidores sobre o assunto, ambas envolvendo o governador. Uma delas aponta que Tarcísio teria ligado pessoalmente para alguns deputados, pedindo que não apoiassem Diniz. A outra, que os parlamentares teriam consultado o governador sobre o tema, e ele teria vetado o nome de Diniz, mostrando predileção pelo deputado Alex Madureira (PL).

Objeção de Tarcísio fez dois parlamentares retirarem nomes da lista de apoio a Diniz, o que dificultou indicação. Ele tinha reunido 11 assinaturas —a maioria da bancada do PL, composta por 20 deputados. Com a perda de dois apoios, dos deputados Rodrigo Morais e Bruno Zambelli, Diniz perdeu a maioria.

Situação transfere para o plano estadual a relação conflituosa de Tarcísio com Eduardo Bolsonaro. O ex-deputado federal já fez diversos ataques públicos ao governador. Já o acusou de “subserviência servil às elites”, por tentar negociar o fim do tarifaço de Donald Trump e, em outro episódio, disse que Tarcísio era o “candidato do sistema, o cara que [Alexandre de] Moraes quer” —o governador era cogitado para disputar a Presidência da República neste ano.

Ao articular contra Diniz, governador rifou aquele que é apontado pelo próprio Eduardo como seu substituto na disputa pelo Senado em São Paulo. Um dos principais aliados do ex-deputado federal, Diniz foi assessor dele na Câmara dos Deputados e chegou à Alesp na esteira do capital político do padrinho.

Diniz segue roteiro semelhante na relação com Tarcísio. O deputado já criticou publicamente o governador por determinar instalação de câmeras em fardas de policiais e pagar emendas parlamentares a deputados do PT, por exemplo. Para Diniz, Tarcísio faz acenos demais ao centro e é pouco comprometido com a pauta bolsonarista. Diante disso, a avaliação entre aliados do governador é de que ele teria uma postura mais independente —e belicosa— na relação com o Executivo, enquanto líder do PL.

Governador argumentou que precisa de um nome mais moderado e próximo a ele na liderança da bancada. Tarcísio é do Republicanos, e não do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro que detém a maior bancada da Alesp. Ruídos na articulação com a sigla poderiam causar problemas de governabilidade em ano eleitoral —Tarcísio sinaliza que tentará se reeleger.

Recentemente, Diniz defendeu que o PL lance candidatura própria ao governo de SP, disputando contra Tarcísio. “Vale a pena o Partido Liberal ter um candidato também, porque ajuda a chapa de [deputado] estadual, ajuda a chapa de [deputado] federal. O Partido Liberal é o maior partido do Estado de São Paulo e o maior partido do Brasil”, disse o deputado no plenário da Alesp. Presidente da Casa e aliado de Tarcísio, André do Prado (PL) descarta a possibilidade de o partido não apoiá-lo. “Estaremos com o governador, isso está decidido”, disse ao UOL.

Escolha de Tarcísio para liderança do PL tem perfil considerado mais conciliador e menos ideológico. Alex Madureira já foi filiado ao PSD, presidido nacionalmente pelo secretário de Relações Institucionais do governador, Gilberto Kassab. Também é ligado à agenda ESG, de boas práticas ambientais, sociais e de governança, criticada por bolsonaristas. No ano passado, esteve no “Gilmarpalooza”, evento organizado por um instituto ligado ao ministro do STF Gilmar Mendes. O Supremo é alvo de ataques constantes do bolsonarismo.

Suposta articulação de Tarcísio desagradou ala do PL

Deputados que apoiaram Gil Diniz viram interferência do governador em assuntos do PL. Um aliado do deputado disse que Tarcísio não deveria intervir em uma decisão da bancada e que ele busca uma pessoa “subserviente” na liderança do partido.

Suposta articulação de Tarcísio teve participação do presidente da Casa, André do Prado, segundo bolsonaristas. A avaliação é de que ele atuou para atender o desejo do governador, já que busca ser indicado vice na chapa de Tarcísio para reeleição.

“Isso não aconteceu. É assunto da bancada do PL”, disse Tarcísio ao UOL. “Nunca fui de entrar em decisões de bancada. Não fiz isso nem na do Republicanos”, afirmou à reportagem.

Prado também negou interferência dele e do governador. “O governador não teve influência alguma. Foi uma decisão interna da bancada”, afirmou, dizendo ter “apreço grande” por Gil Diniz.

Em ano eleitoral, bancada precisa de liderança com perfil “mais agregador”, disse o presidente da Alesp. “Final de mandato, temos que ter na liderança alguém que tenha uma boa relação com todos, com a oposição e o governo também. A função do líder é buscar que os liderados sejam contemplados, agregar no sentido de conquistas, fazer maior interlocução com o governo”, analisou, ao apontar que Alex Madureira teria esse perfil. “Gil não foi escanteado de nada”, reforçou.

Ala do PL reclama da relação de Tarcísio com deputados. Um parlamentar do grupo menos ideológico do partido disse que apoiou Gil Diniz porque o PL precisa de uma liderança que faça mais enfrentamento ao governador. Segundo ele, o governo não cumpre compromissos e tem repassado menos recursos às prefeituras, o que gera descontentamento nas bases dos parlamentares.

Diminuir a fervura

Pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL) pediu a Eduardo para maneirar nas críticas a Tarcísio. Como mostrou o UOL, Flávio ligou para o irmão recentemente e disse para ele para ter paciência e não fazer reclamações públicas.

Após visitar Bolsonaro na cadeia na semana passada, Tarcísio disse que vai apoiar candidatura de Flávio. “Sem dúvidas. Não tem dúvidas em relação a isso”, afirmou a jornalistas. O governador também reiterou que disputará a reeleição em São Paulo.

Eduardo fez afago em Tarcísio após visita e falou em união. “É um gesto [a visita] que, sem dúvida, faz muito bem a ele [Jair Bolsonaro] neste momento que ele atravessa. Este é um momento de focarmos naquilo que converge”, escreveu no X (antigo Twitter), no último dia 29.

Fonte: UOL

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