O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) discursou no encerramento do ato na praça do Cruzeiro, em Brasília, na tarde de hoje, e não mencionou os feridos por um raio que atingiu o local antes de sua fala.
O que aconteceu
Deputado disse que o presidente do Senado é omisso e pediu abertura de CPMIs. Dirigindo-se a Davi Alcolumbre (União-AP), Nikolas Ferreira cobrou a instalação de uma CPMI do INSS e uma do Banco Master. O discurso marcou o fim de uma caminhada de uma semana que começou em Minas Gerais na última segunda-feira.
Nós estamos aqui também como um grito de quem nao aguenta mais, pra poder saber e punir quem teve ações criminosas ou o que aconteceu pra uma esposa de um ministro do STF ter um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master.
– Nikolas Ferreira
Sabe o que é engraçado? Que o brasileiro paga altas contas e aí o governo Lula, juntamente com vários outros magistrados, utilizam dos seus recursos pra poder desviar da sua finalidade, enquanto o povo sofre, você vê pessoas como o filho do Lula tendo mesadinha e enchendo o bolso de dinheiro.
– Nikolas Ferreira
“O Nordeste vai ser livre e vai acordar”, disse. A manifestação foi convocada com o mote “Acorda, Brasil”. Em diversos momentos, o parlamentar fez menções e instruiu os manifestantes de que eles tinham como missão “acordar outras pessoas”. Ele também se dirigiu aos professores, pedindo para que também “acordassem”.
Eu sei que chega na eleição, tem muita gente que guarda um sentimento contra o Norte, contra o Nordeste, mas posso falar uma coisa pra vocês, se o PT chegou lá e manipulou essas pessoas, é porque nós não conseguimos chegar nelas para levar a verdade. O Nordeste vai ser livre e vai acordar.
– Nikolas Ferreira
Antes do discurso, a queda de um raio causou pânico e deixou dezenas de feridos. Bombeiros montaram tendas e encaminharam vítimas a hospitais.
O deputado visitou as vítimas no Hospital de Base do DF após o evento. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele negou irresponsabilidade e falta de organização. “Aconteceu um incidente natural. Foi algo que foge do nosso controle”, disse.
Ato que marcou fim da caminhada repetiu os comícios de Bolsonaro na campanha de 2022. Grades metálicas formaram um corredor até o carro de som, com militantes dos dois lados, criando a impressão de uma chegada apoteótica. O evento foi organizado pela deputada federal Bia Kicis (PL-DF). Deputados e lideranças convocaram apoiadores e ônibus levaram caravanas de pessoas vestidas de verde e amarelo carregando símbolos religiosos e bandeiras de Israel e dos Estados Unidos.
Pré-candidato a presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não compareceu. Ele está em viagem internacional para encontrar lideranças da direita de outros países.
Mas o rosto do pré-candidato já aparece em bandeiras. Ele aparece de mãos dadas com Bolsonaro junto ao slogan “Deus, pátria, família”.
O nome do senador também apareceu nas músicas. Uma versão atualizada de um jingle que critica o PT incluiu o nome de Flávio. O publicou reagiu gritando quando escutou.
A menção ocorre em um momento que Flávio é questionado. Nomes importantes da direita sinalizam que preferem o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), concorrendo ao Planalto.
A mobilização de Nikolas serviu de palanque à família Bolsonaro. Todos os filhos do ex-presidente aproveitaram para aparecer nas redes sociais do deputado, que tem 24 milhões de seguidores quando somados X, Tiktok e Instagram.
Flávio fez ligações de Israel. Ele foi chamado de presidente pelos participantes da caminhada.
Carlos Bolsonaro se juntou à caminhada mais de uma vez. Ele enfrenta dificuldades em cacifar sua candidatura ao Senado em Santa Catarina por ser do Rio de Janeiro.
Até Eduardo Bolsonaro, que tem diferenças com Nikolas, apareceu. O ex-deputado ligou dos Estados Unidos e parabenizou a iniciativa numa ligação protocolar.
Michelle apareceu no evento final. Ao longo da semana, a ex-primeira dama postou vídeo e obteve engajamento nas redes sociais.
Em SP, protesto critica Moraes, Master e pede ‘Bolsonaro em casa’
Bolsonaristas também se reuniram hoje na avenida Paulista. Ato por anistia para o ex-presidente e os condenados pelo 8 de Janeiro ocorreu de 15h às 16h20, em frente ao prédio da Fiesp. O deputado estadual Gil Diniz (PL-SP), um dos organizadores, disse ao UOL que a manifestação foi uma forma de contemplar os bolsonaristas que não conseguiram ir até a capital federal.
Protesto teve gritos de “Bolsonaro em casa”. Sem perspectiva de anistia, bolsonaristas pressionam o STF a conceder prisão domiciliar ao ex-presidente, que cumpre pena na Papudinha.
Ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal) foi alvo de ataques. Em um trio na frente da Fiesp, políticos acusaram o ministro de ser “tirano” e de tentar matar Bolsonaro na cadeia.
Caso do Banco Master também foi citado. O vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo (PL) discursou pedindo “transparência nas apurações” sobre o caso. Houve pedidos de criação de uma CPMI.
Boneco inflável pedia impeachment de Toffoli, Moraes e Gilmar Mendes. O boneco de Moraes segurava um documento escrito “contrato R$ 129 milhões”, em alusão ao valor do contrato que Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, tinha com o Master.
Irmão de Bolsonaro participou. Pré-candidato a deputado federal por São Paulo, Renato Bolsonaro (PL) discursou pedindo a libertação do ex-presidente. “O que nós queremos é Jair Bolsonaro nas ruas”, disse.
Fonte: UOL






