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07/03/2026

‘Digna e abatida’: como Michelle detalhou a saúde de Bolsonaro ao Supremo

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A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro chegou ao Supremo Tribunal Federal semana passada com atitude respeitosa, traje austero e sem maquiagem aparente.

Ela conversou com os ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Detalhou a ambos o estado de saúde do marido e o histórico médico dele. Aos colegas, um dos ministros disse ter ficado surpreso com a figura “suave, mas de discurso muito articulado e reto”. “Portou-se melhor do que muitos advogados.”

Houve uma mobilização de esforços para que a mulher do ex-presidente chegasse aos dois ministros do Supremo. No caso de Moraes, como revelou o portal Metrópoles, o intermediário foi o deputado e vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes (PL-RJ). Para chegar a Gilmar, Michelle recorreu a um representante do estado do ministro, o Mato Grosso.

A ex-primeira-dama foi recebida como de costume nas audiências concedidas em gabinetes do Supremo. Desde o reforço na segurança do STF, agravada durante o governo Bolsonaro, as portas das salas de acesso aos gabinetes só são abertas com biometria facial —e há sempre policiais federais na antessala.

Michelle demonstrou já ali a aptidão que tem chamado atenção da política. Perguntou os nomes dos policiais, cumprimentou-os pessoalmente. Só então ingressou nos gabinetes.

A ex-primeira-dama fez um relato da rotina do marido. Repetiu, em detalhes, o que já disse de maneira mais econômica em público. “Ela não foi piegas, foi factual”, relatou um ministro aos colegas.

Michelle destacou que a interação medicamentosa para tratar das diversas intercorrências na saúde de Bolsonaro fazem com que o ex-presidente acorde durante a noite “desorientado”, “sem saber exatamente onde está”.

Detalhou ainda que, por isso, há pressa em levantar da cama, para buscar orientação, o que amplia o risco de queda ou acidente semelhante. A prescrição de medicações que atuam tanto contra depressão como contra ansiedade, caso da pregabalina, acabaram por ampliar esses quadros, finalizou.

Bolsonaro acabou transferido pelo ministro Alexandre de Moraes, na quinta (15), horas após a conversa com a ex-primeira-dama, para o complexo de prisão conhecido como Papudinha, anexo à Papuda, onde terá uma sala de Estado Maior, quase cinco vezes maior do que a que dispunha na Polícia Federal em Brasília.

As condições na Papudinha são mais favoráveis ao ex-presidente, tanto para locomoção como para alocação de pertences e banhos de sol.

Relator de um pedido de habeas corpus empregado por um nome que não compõe a defesa do ex-presidente, Gilmar Mendes rejeitou o pedido de prisão domiciliar de Bolsonaro por motivos técnicos. Mas pode voltar a analisar iniciativas semelhantes por conta da prevenção, juridiquês que garante a um magistrado o dever de analisar iniciativas que versem sobre um tema que ele já relatou anteriormente.

Na saída do gabinete do ministro, Michelle recordou-se do nome do policial que a recebeu na antessala e perguntou onde ele estava. Disse que gostaria de se despedir dele. O agente foi chamado, a ex-primeira-dama o agradeceu pela recepção nominalmente e saiu.

O observador desatento pode entender o gesto final como de boa educação corriqueira. Na política, não é. Na política, isso é coisa de quem está em campanha e sabe o que está fazendo.

Fonte: UOL

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