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07/03/2026

David Almeida pode ficar oito anos inelegível após ter contas reprovadas pela CAE da ALEAM

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Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) recomendou a reprovação das contas de 2017 do ex-governador David Almeida (Avante), o que pode torná-lo inelegível por até oito anos, conforme prevê a Lei Complementar nº 64/1990. O relatório também apontou irregularidades nas gestões de José Melo e Amazonino Mendes no mesmo exercício.

De acordo com o parecer aprovado pela comissão, as falhas na gestão interina de David Almeida incluem uso indevido de recursos da educaçãopublicidade irregular em período eleitoraldescumprimento de decisões do Tribunal de Contas e desapropriação sem comprovação de utilidade pública.

O relator da matéria, deputado Wilker Barreto (PMN), afirmou que as irregularidades são “graves, reincidentes e de impacto social” e votou pela reprovação total das contas, divergindo do parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM), que havia sugerido aprovação com ressalvas.

A CAE recomendou ainda que o caso seja enviado ao Ministério Público do Amazonas (MP-AM) para investigação de possível responsabilidade civil e criminal, e ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM), que poderá analisar a inelegibilidade dos ex-governadores.

Instabilidade política marcou o ano de 2017

O ano de 2017 foi marcado por instabilidade política no Amazonas. O então governador José Melo foi cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e econômico. Com isso, o então presidente da Assembleia Legislativa, David Almeida, assumiu o cargo interinamente até a eleição suplementar, que resultou na vitória de Amazonino Mendes.

Segundo o relatório, a sucessão de três governadores em um mesmo ano provocou descontinuidade administrativadesorganização financeira e dificuldades na manutenção dos serviços públicos.

O que diz a legislação

A Constituição obriga o governador a prestar contas da aplicação dos recursos públicos. O TCE-AM faz uma análise técnica preliminar, chamada de parecer prévio, enquanto a Assembleia Legislativa realiza o julgamento político, podendo aprovar ou reprovar as contas.

Embora o TCE-AM tenha emitido parecer favorável com ressalvas, a CAE concluiu que as irregularidades eram graves demais e recomendou a reprovação integral das contas.

Irregularidades na gestão de José Melo (janeiro a maio de 2017)

Durante os quatro primeiros meses de 2017, o governo de José Melo apresentou cinco principais falhas, segundo o relatório:

  • Gastos com pessoal acima do limite da Lei de Responsabilidade Fiscal, sem adoção de medidas para reduzir despesas;
  • Uso indevido de Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) em substituição a licitações, prática considerada ilegal;
  • Má gestão e falta de transparência na aplicação de recursos do Fundeb;
  • Uso de verbas da educação para pagar dívidas antigas, o que é proibido por lei;
  • Irregularidades em controles internos e execução orçamentária.

Irregularidades na gestão de David Almeida (maio a outubro de 2017)

Durante o período interino, o relatório identificou sete irregularidades graves, entre elas:

  • Repetição do uso irregular de TACs;
  • Pagamentos fora da ordem cronológica;
  • Continuidade das falhas na gestão do Fundeb;
  • Uso de recursos da educação para quitar dívidas antigas;
  • Descumprimento de decisões do Tribunal de Contas;
  • Publicidade institucional em período eleitoral, vedada por lei;
  • Desapropriação irregular de R$ 10,5 milhões, sem comprovação de utilidade pública, mesmo com dívidas em aberto na saúde.

Para a CAE, essas práticas demonstraram desrespeito ao controle externo e ao uso ético dos recursos públicos.

Irregularidades na gestão de Amazonino Mendes (outubro a dezembro de 2017)

Mesmo em um curto período de mandato, o governo de Amazonino Mendes também apresentou falhas, como:

  • Problemas na movimentação de recursos do Fundeb;
  • Descumprimento do investimento mínimo de 25% em educação;
  • Uso indevido de TACs;
  • Falhas nos controles internos e conciliações bancárias.

Amazonino, que faleceu em 2023, não apresentou defesa, e a análise foi feita com base nos documentos existentes.

Defesas apresentadas

A defesa de José Melo alegou contexto fiscal adverso e afirmou que não houve irregularidades graves, mas o relatório considerou que não foram apresentadas provas novas ou medidas efetivas de correção.

David Almeida argumentou que não foi responsabilizado individualmente pelo TCE-AM, e sustentou que sua gestão interina foi regular, com base no parecer do tribunal e na ausência de novos fatos.

Amazonino Mendes, por estar falecido, não apresentou defesa.

Conclusão do Tribunal de Contas

TCE-AM havia identificado falhas graves nas três gestões, incluindo:

  • Diferenças de R$ 311 milhões em conciliações bancárias;
  • Gastos excessivos com pessoal;
  • Irregularidades na aplicação de verbas do Fundeb;
  • Uso indevido de TACs;
  • Deficiências em controles internos.

Durante o julgamento, houve divergências entre os conselheiros. Parte defendeu a reprovação total ou parcial das contas, mas prevaleceu o voto da presidência, que decidiu pela aprovação com ressalvas e recomendações.

Parecer final e próximos passos

O relator da CAE, deputado Wilker Barreto (PMN), divergiu do TCE-AM e votou pela reprovação total das contas, considerando as irregularidades graves e reincidentes. O parecer da comissão recomenda:

  • Envio do caso ao Ministério Público para apuração de responsabilidade civil e criminal;
  • Comunicação ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) para possível declaração de inelegibilidade dos ex-governadores, conforme o artigo 1º, inciso I, alínea “g”, da Lei Complementar nº 64/1990;
  • Adoção de medidas corretivas pelo atual governo estadual.

Caso o plenário da Aleam confirme a reprovação das contas, José Melo e David Almeida poderão ficar inelegíveis, dependendo da decisão final do TRE-AM.

Confira o relatório:

Fonte: Portal Rios

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