David Almeida justifica ausência de novas obras por ‘falta de recursos’ após gerir R$ 52 bilhões em seis anos

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Em um discurso marcado pelo tom de despedida da gestão municipal e foco na corrida eleitoral para o Governo do Amazonas, o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), afirmou nesta sexta-feira (27/03) que a prefeitura não avançou em mais frentes de trabalho por limitações financeiras. “Se eu não fiz mais, é porque faltou recurso”, declarou o mandatário durante a reinauguração da Feira Municipal do Jorge Teixeira 1, na zona Leste.

A fala de Almeida ocorre em um momento em que a transparência sobre os gastos públicos está sob lupa. Apesar da alegação de escassez, os números oficiais da Lei Orçamentária Anual (LOA) mostram uma realidade de crescimento exponencial na arrecadação e no teto de gastos da capital amazonense ao longo de sua gestão.

O Salto Orçamentário

Desde que assumiu o comando do Paço Municipal em 2021, David Almeida administrou cifras que somam aproximadamente R$ 52,7 bilhões. O crescimento orçamentário foi constante e acentuado:

  • 2021: R$ 5,5 bilhões
  • 2022: R$ 7,1 bilhões
  • 2023: R$ 8,5 bilhões
  • 2024: R$ 9,0 bilhões
  • 2025: R$ 10,5 bilhões
  • 2026 (Previsão): R$ 12,0 bilhões

Entre o primeiro ano de mandato e a previsão para 2026, houve um aumento real de 118,2% no orçamento da cidade, impulsionado por repasses federais, estaduais e pelo aumento na arrecadação de impostos municipais como o IPTU e o ISS.

Questionado sobre obras que ainda não saíram do papel ou que apresentam lentidão, como a revitalização completa de feiras e mercados em bairros periféricos, o prefeito indicou que parte do cronograma será herdado por seu vice e provável sucessor na gestão municipal, Renato Júnior. “Não posso fazer tudo”, justificou ao comentar sobre o cronograma da Feira do Santo Antônio.

Repercussão Política

A declaração de “falta de recursos” foi prontamente criticada por opositores na Câmara Municipal de Manaus (CMM). Parlamentares apontam que a gestão atual foi beneficiada por empréstimos vultuosos aprovados pela casa — que somam mais de R$ 1 bilhão apenas em operações recentes com o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal — o que, em tese, deveria garantir fôlego para investimentos em infraestrutura.

Enquanto a prefeitura alega dificuldades financeiras para novas frentes, o foco da gestão tem sido o asfalto (Programa Asfalta Manaus) e a pintura de espaços públicos, áreas que recebem as maiores fatias de investimento direto, mas que também são alvos de questionamentos sobre a durabilidade e o custo-benefício das intervenções.

Com a pré-candidatura ao governo estadual consolidada, as justificativas de David Almeida devem se tornar tema central dos debates eleitorais, onde o equilíbrio entre a “falta de verba” alegada e os R$ 52 bilhões administrados será o fiel da balança para o eleitor.

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