CPMI do INSS: relator aponta pagamentos de associação à família do deputado Silas Câmara

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Deputado federal Silas Câmara - Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados

deputado federal Silas Câmara (Republicanos) e familiares foram citados nesta segunda-feira, 3/10, durante sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, em Brasília.

O relator do colegiado, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), afirmou que a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA) efetuou pagamentos a membros da família do parlamentar por meio de uma empresa de fachada.

Segundo o relator, a CBPA teria utilizado a empresa Network Serviços de Comunicação para transferir valores a dois filhos de Silas — Heber Tavares Câmara e Milena Câmara — e também aos irmãos do deputado, o pastor Jonatas Câmara, presidente da Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Amazonas, e o deputado estadual Dan Câmara (Podemos). Além da esposa do parlamentar, a deputada federal Antônia Lúcia (Republicanos-AC).

Trecho do oranograma apresentado durante a sessão da CPMI (Fonte: TV Senado)

As transações, conforme Gaspar, levantam suspeitas de envolvimento da família em um esquema de repasses ilegais de recursos da confederação. Durante o depoimento, o presidente da CBPA, Abraão Lincoln Ferreira, admitiu conhecer o parlamentar, mas negou irregularidades nos pagamentos.

Após contradições e o que os parlamentares classificaram como “falso testemunho”, ele recebeu voz de prisão em flagrante determinada pelo presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), com apoio do vice-presidente, deputado Duarte Júnior (PSB-MA). Ele se manteve em silêncio em boa parte do depoimento.

Irregularidades

A investigação aponta que a Confederação da Pesca recebeu cerca de R$ 221 milhões em descontos associativos, valor equivalente a aproximadamente R$ 10 milhões por mês, sem comprovação clara sobre a destinação dos recursos.

O relator destacou ainda o crescimento repentino do número de filiados: de apenas quatro cadastros em maio de 2023, para 64 mil em junho e 196 mil em julho, chegando a 757 mil registros neste ano. Segundo ele, 99,5% dos beneficiários disseram não reconhecer os descontos feitos em seus benefícios do INSS.

O relatório também cita repasses milionários da CBPA a empresas investigadas por fraudes no sistema previdenciário, como a Plataforma Consultoria (R$ 25 milhões) e a Titanium Pay (R$ 15 milhões), sem comprovação de serviços prestados. O caso deve ser incluído no relatório final da CPMI.

Fonte: Portal Rios